INVESTIGAÇÃO DOS MECANISMOS DE AÇÃO DA MELATONINA ASSOCIADA OU NÃO COM A QUERCETINA SOBRE O FÍGADO E RINS DE RATOS DIABÉTICOS A NÍVEL CELULAR, BIOQUÍMICO E IMUNOHISTOQUÍMICO.
hiperglicemia, melatonina, flavonoide, estresse oxidativo, inflamação, ratos.
O diabetes mellitus é uma doença crônica de caráter hiperglicemiante, suas complicações atingem todos os órgãos do corpo, inclusive o fígado e rins, e já é notório que o estresse oxidativo e a inflamação fazem parte de sua fisiopatologia. Nesse sentido se destaca dois antioxidantes: a quercetina (flavonoide) e a melatonina (hormônio pineal), os dois também com potencial anti-inflamatório. Nesse sentido o presente trabalho objetivou analisar o efeito do tratamento com quercetina associado ou não com a melatonina nos rins e fígado de ratos diabéticos. Foram usados 90 ratos machos divididos nos seguintes grupos: Grupo I (Controle): ratos sem indução ao diabetes; Grupo II: ratos diabéticos (GD); Grupo III: ratos diabéticos tratados com insulina (GDI); Grupo IV: ratos diabéticos tratados com melatonina (GDM); Grupo V: ratos diabéticos tratados com quercetina (GDQ); Grupo VI: ratos diabéticos tratados com melatonina e quercetina (GDMQ). O diabetes foi induzido através da estreptozotocina (60 mg/kg). A melatonina foi administrada (10 mg/kg) por 30 dias após a indução do diabetes. A quercetina foi administrada (40 mg/kg) também por 30 dias após a indução do diabetes. A glicose foi medida através de tiras e glicosimetro comercial. Ao final do experimento os animais foram anestesiados e eutanasiados, os órgãos foram coletados e o sangue foi centrifugado e o soro foi guardado para análise. Os órgãos seguiram para o processamento histológico de rotina (lâminas em H.E para histopatologia e morfometria) e o soro seguiu para análise bioquímica para creatinina, ureia, TGO e TGP. Também foi analisado estresse oxidativo tecidual para avaliar peroxidação lipídica e glutationa reduzida. Ademais foi feito imunohistoquímica para IL-6, TNF-α e Teste de Tunel (apoptose) nos rins e IL-6, TNF-α e IL-10 para o fígado. Os resultados demonstraram que os tratamentos só com melatonina e melatonina + quercetina foram mais efetivos em diminuir os níveis glicêmicos, proteger os animais contra a perda de peso corporal e renal, além de diminuir o estresse oxidativo e evitar alterações patológicas severas nos rins, bem como proteger o tecido renal e estabilizar níveis de creatinina e ureia, ademais protegeram contra o aumento da apoptose e de interleucinas inflamatórias. O tratamento só com quercetina demonstrou uma leve ou moderada efetividade nos agravos renais dessa doença. No fígado os grupos tratados com melatonina e quercetina, tanto juntos quanto separados conseguiram proteger os animais contra a perda de peso hepática, além de diminuir o estresse oxidativo e evitar alterações patológicas severas no fígado. Ademais estabilizou os níveis séricos de TGO e TGP, e evitaram o aumento de interleucinas inflamatórias (IL-6 e TNF-α) e redução da IL-10 (interleucina anti-inflamatória). Conclui-se que para o tecido renal os tratamentos só com melatonina e melatonina associada com quercetina foram os mais eficazes contra as complicações renais no diabetes. No entanto para o fígado, todos os mesmos tratamentos associados ou não, foram benéficos na proteção contra os danos ocasionados pelo diabetes.