Efeito do campo magnético de baixa frequência na atividade elétrica cortical de ratos após indução de status epilepticus.
EEG, espectro de potência, DFA, epilepsia, CEM, CM.
A sociedade atual utiliza constantemente inúmeros recursos elétricos em seu
cotidiano. Quando a corrente elétrica é colocada em movimento é gerado um campo
magnético em torno da corrente, quando se trata da fiação elétrica comum o Campo
Eletromagnético (CEM) correspondente possui a frequência extremamente baixa de
até 60 Hz. A literatura apresenta inúmeros estudos dedicados a descobrir quais as
influências da exposição ao CEM em indivíduos saudáveis ou em face de algum
distúrbio. Entretanto existem contradições entre os reais efeitos desta exposição, não há consenso quanto a causa, prejuízos à saúde, possibilidades no tratamento de
enfermidades ou se o mesmo não causa qualquer influência aos organismos. E, os
dados que relacionam a exposição ao CEM de até 60 Hz na atividade elétrica cerebral
são escassos. A epilepsia é a doença neurológica mais comum no mundo, e a
disfunção elétrica cortical torna o indivíduo epiléptico sensível a convulsões em vários
aspectos, entre eles o ambiental. Desta forma, seria o paciente com epilepsia sujeito
a exposição ao CEM mais propenso a desencadear alterações em sua dinâmica
elétrica cortical? Em caso afirmativo, tais alterações causam prejuízo ou benefício ao
paciente? No presente trabalho, buscou-se verificar os efeitos da exposição ao CEM
de 60 Hz sobre os parâmetros da atividade elétrica cortical antes e após modelo
animal de status epilepticus de ratos adultos machos. Para o registro da atividade
elétrica cerebral dos animais foi utilizado o eletrocorticograma (ECoG). O ECoG foi
analisado pelos métodos matemáticos: Densidade Espectral (DE), Análise de
Flutuação Destendenciada (DFA). Dezoito ratos Wistar de 90 dias foram registrados
antes e após indução por pilocarpina ao status epilepticus. Após o primeiro registro
os animais foram divididos em (G1 antes e G2 antes), em seguida um grupo recebeu
apenas a droga (G1 depois) e o outro grupo recebeu a droga e foi submetido ao CM
(G2 depois). O segundo registro foi obtido após 24 horas da administração de pilocarpina e comparado ao obtido antes da indução ao status epilepticus. O DFA do segmento do ECoG não apresentou diferença significativa em nenhum dos grupos. A DE apresentou diferença entre G1 antes e G1 depois apenas na onda delta. Enquanto que o DFA das ondas alfa, delta e teta apresentaram diferenças significativas entre G1 antes e G1 depois. Este estudo sugere que a exposição de 24 horas ao CM com intensidade de 1 mT e frequência 60 Hz foi capaz de amenizar os efeitos do status epilepticus sobre a atividade elétrica cerebral.