Levantamento entomológico e infecção natural por Trypanosoma cruzi em triatomíneos no agreste de Pernambuco, Brasil
Vetores, doença de Chagas, DTUs, tripanossomatídeos
Trypanosoma cruzi apresenta população heterogênea com sete linhagens reconhecidas, denominadas de Discrete Typing Units (DTU’s). O conhecimento das DTUs de T. cruzi pode contribuir para melhor compreensão da epidemiologia da Doença de Chagas e os possíveis fatores de risco de infecção ao homem. O objetivo deste estudo foi realizar levantamento entomológico de triatomíneos, detectar a frequência da infecção por T. cruzi e identificar as linhagens presentes em municípios do agreste de Pernambuco, Brasil. A partir de dados do Programa Nacional de Controle da Doença de Chagas (PNCDch), foi realizado um estudo retrospectivo (2008-2017) para avaliar a ocorrência e distribuição de triatomíneos em 21 municípios. Durante o período de julho de 2018 a junho de 2019, triatomíneos foram coletados no intradomicílio e peridomicílio e identificados, para posterior extração de DNA. A pesquisa de T. cruzi foi realizada por meio de exames parasitológicos e moleculares. Para a pesquisa de DNA de Trypanossoma spp. foi realizada PCR, os produtos amplificados foram purificados e sequenciados. A genotipagem de T. cruzi foi realizada por Multiplex PCR. Para avaliar a distribuição espaço-temporal de triatomíneos infectados por tripanossomatídeos foram usados dados do PNCDch (2008-2018), incluindo o número total de triatomíneos capturados nas áreas intra e peridomiciliares, bem como a taxa de infecção (TI) por tripanossomatídeos. O método por Getis–Ord foi usado para identificar agrupamentos de concentração estatisticamente significativos e a TI. O modelo de regressão linear generalizado com distribuição binomial foi usado para avaliar a probabilidade de detectar a taxa de infecção por tripanossomatídeos. Através do estudo retrospectivo, um total de 4694 triatomíneos foram coletados, sendo 94,5% no intradomicílio e 5,5% no peridomicílio. As espécies mais frequentes foram Panstrongylus lutzi (30,36%), Triatoma brasiliensis (26,12%), Triatoma pseudomaculata (22,43%) e Panstrongylus megistus (20,54%). Um total de 117 triatomíneos foram coletados, sendo 93,16% e 6,84% em ambientes intradomiciliar e peridomiciliar, respectivamente. As espécies capturadas foram P. lutzi (37,60%), Triatoma pseudomaculata (26,50%), T. brasiliensis (23,08%) e P. megistus (12,82%). A taxa de infecção por T. cruzi foi de 5,49% e 12,09% em exames parasitológicos e moleculares, respectivamente. A análise molecular detectou 70,59% de genótipo TcI, em todas as espécies de triatomíneos identificadas e 29,41% de TcIII/TcIV em P. megistus e P. lutzi. A análise da distribuição espaço-temporal de triatomíneos infectados por tripanossomatídeos foi realizada com 4.800 triatomíneos, formas flagelares semelhantes a T. cruzi foram detectadas em 10,29% deles, e a maioria das amostras positivas (98,17%) foram coletadas no intradomicílio. As análises geoespaciais identificaram aglomerados de triatomíneos em ambientes intradomiciliares e peridomiciliares. A regressão logística para as espécies (P. lutzi, P. megistus, Triatoma brasiliensis e T. pseudomaculata) demonstrou que a probabilidade de detecção da infecção por T. cruzi permanece constante em até 50 espécimes examinados ou mais. A presença de triatomíneos infectados em áreas de intra e peridomicílio alerta para a implementação de ações de vigilância, como educação em saúde nas áreas de maior vulnerabilidade de ocorrência desses vetores. E, adoção de medidas de controle entomológico sistemático para reduzir os riscos de infestação e, consequentemente, da doença de Chagas.