Soroprevalência da infecção por Toxoplasma gondii, Neospora caninum, Leishmania spp. e Leptospira spp. em cães, caprinos e ovinos naturalmente expostos em aldeias indígenas no estado de Pernambuco
Indígenas; Toxoplasma gondii; Neospora caninum; Leptospira spp.; Leishmania spp
Estudos sobre agentes infeciosos que circulam em comunidades indígenas são escassos, não apenas no Brasil, mas em diversas partes do mundo. Os povos originários, até os dias atuais, ainda vivem sobre uma conjuntura de exclusão histórica, e as consequências são observadas nas condições de precariedade e desigualdades nos índices sociais, sobretudo entre os indicadores de saúde. Investigações sorológicas acerca de agentes infeciosos que circulam em animais das comunidades indígenas representam importantes ferramentas para traçar o perfil epidemiológico das doenças, além de contribuir para implementação de programas de sanidade e melhoria na produção animal nestas populações, uma vez que grande parte das famílias residentes nas aldeias possui a pecuária como fonte de subsistência. Adicionalmente, também auxiliam no controle e prevenção de enfermidades nestas populações, pois mais de 70% das doenças mundialmente diagnosticadas em humanos são de origem animal. Desta forma, este trabalho objetivou pesquisar a presença de agentes infecciosos em duas populações indígenas no Nordeste do Brasil, estado de Pernambuco. Na etnia Xukuru, no município de Pesqueira; e etnia Fulni-ô, localizada no município de Águas Belas. Na comunidade Xukuru foram analisados 180 soros ovinos (Ovis aries) e 108 soros caprinos (Capra aegagrus hircus), onde a presença de Toxoplasma gondii e Neospora spp foi investigada através da técnica de Imunofluorescência Indireta (RIFI), enquanto para Leptospira spp., as análises foram executadas por Aglutinação Microscópica (MAT). Na etnia Fulni-ô, a pesquisa foi realizada em 66 soros caninos (Canis Lupus familiaris), e o diagnóstico realizado através da RIFI para T. gondii e N. caninum, MAT para Leptospira spp. e o kit TR DPP® 7 Leishmaniose Visceral Canina da Bio-Manguinhos para Leishmania spp. Os resultados obtidos na população Xukuru demonstraram uma frequência de anticorpos para T.gondii de 16,6% em ovinos e 11,1% em caprinos; para N. caninum 10,5% dos ovinos e 20,73% apresentaram reações positivas, enquanto 15% dos ovinos e 19,4% dos caprinos foram reagentes para Leptospira spp. Na comunidade Fulni-ô, as análises demonstraram uma frequência de 9,09% para T. gondii; 22,72% para N. caninum; 22,72% para Leishmania spp. e 18,8% para Leptospira spp. nos caninos. Os resultados evidenciam que agentes infecciosos de relevância para a Medicina Veterinária e Humana circulam em populações indígenas do estado de Pernambuco, e ressaltam a relevância do monitoramento dos animais residentes nas aldeias, bem como, a necessidade de programas de saúde nestas populações.