ASPECTOS IMUNOHISTOQUÍMICOS E MORFOFISIOLÓGICOS DO FÍGADO E RINS DE RATAS, SUBMETIDAS À SUPLEMENTAÇÃO DE CREATINA E NANDROLONA ASSOCIADOS OU NÃO A ATIVIDADE FÍSICA
Anabolizantes, suplementação alimentar; toxidade; natação, ratas; extresse oxidativo.
A utilização indiscriminada dos esteroides anabólicos androgênicos como decanoato de nandrolona tornou-se problema mundial. Seus efeitos chamaram atenção de usuários não-atletas que buscam melhorar performance. Aliado a isso, a procura por suplementação alimentar, como creatina que pode promover maior desempenho, ganho de massa magra e força também vem sendo utilizado. Entretanto, o uso suprafisiológico dessas substâncias podem causar efeitos tóxicos à saúde humana. Assim, a presente pesquisa visou analisar os efeitos dessa associação aliada à atividade física sobre os níveis de peroxidação lipídica, citocinas inflamatórias, proliferação celular, bioquímica e a histomorfometria do fígado e rins em ratas wistar. Utilizou-se 50 ratas, as quais foram divididas nos seguintes grupos: I Ratas sem tratamento e treinamento (RC), II Ratas sem tratamento e treinadas (RT), III Ratas treinadas + nandrolona (RTN), IV Ratas treinadas + nandrolona + creatina (RTNCreat), V Ratas treinadas + creatina (RTCret). A nandrolona foi administrada por meio de injeções i.m., 5 dias/semana/30 dias, na concentração de 5 mg/kg. A creatina monoidratada foi administrada por gavagem (0,5g/kg). As ratas treinadas foram submetidas ao protocolo de natação. A análise histopatológica do fígado das ratas dos grupos RTN, RTNCreat e RTCreat revelou congestão da veia centro lobular, balonamento hepatocelular, aumento do parênquima lobular e redução do não lobular. Já nos rins foi observada glomerulonefrite proliferativa. Nos rins verificou-se ainda aumento do diâmetro e volume glomerular, e do diâmetro e volume da cápsula de Bowman. Houve aumento do índice organossomático tanto do fígado como nos rins, nas ratas que receberam nandrolona e/ou creatina, sendo mais expressivo no tratamento com creatina no fígado, porém sem diferir da sua associação com a nandrolona. Os níveis da peroxidação lipídica (TBARS) no fígado e rins foram bastante elevados nas ratas dos grupos RTN, RTNCret e RTCreat, sendo mais efetivo na associação nandrolona/creatina. Em contra partida o GSH apresentou redução significativa nesses grupos, sendo mais evidente também com a associação nandrolona/creatina. A expressão das citocinas pró-inflamatórias IL-6, TNFα e proliferação celular no fígado e rins dos grupos RTN e RTNCret foram elevadas. O VEGF-A revelaram níveis aumentados no fígado dos grupos RTN e RTNCret. As transaminases e fosfatase alcalina apresentaram maiores valores no fígado dos grupos RTN, RTCret e RTNCret. A creatinina foi aumentada nos grupos RTCret e RTNCret, e os da ureia nos grupos RTN, RTCreat e RTNCreat. Assim, conclui-se que o uso suprafisiológico da nandrolona e creatina ocasiona toxicidade hepática e renal independente de está ou não associado à atividade física o que deve servir de alerta para os usuários