ASPECTOS EPIDEMIOLÓGICOS, CLÍNICOS E ANATOMOPATOLÓGICOS DA INTOXICAÇÃO NATURAL POR CROTALARIA JUNCEA EM EQUINOS E AVALIAÇÃO EXPERIMENTAL DA TOXICIDADE EM RATOS WISTAR
Alcaloides pirrolidizínicos; Toxicose; Rattus norvegicus; cavalos; pneumopatia
A intoxicação por plantas permanece um desafio na Medicina Veterinária e, a cada ano, novas informações são inseridas na literatura, acerca das espécies botânicas de interesse pecuário. Os alcaloides pirrolidizínicos (AP) são substâncias que provocam lesões crônicas e progressivas em fígado, pulmão e cérebro, e constituem o princípio ativo de Crotalaria sp., principal gênero botânico tóxico para equídeos. Surtos de intoxicação por Crotalaria retusa são frequentemente reportados no Brasil, contudo, os últimos registros da intoxicação natural por C. juncea datam de 32 anos atrás, sugerindo subdiagnóstico ou erros na interpretação de quadros clínico-patológicos por profissionais a campo, e suscitando maior atenção aos distúrbios secundários à ação dos AP no organismo. Nesse sentido, o objetivo desta tese foi investigar os efeitos tóxicos da ingestão de Crotalaria juncea em diferentes espécies animais, por meio da descrição clínico-patológica de um surto espontâneo em equinos e da avaliação experimental controlada em Rattus norvegicus, correlacionando achados clínicos, bioquímicos, macroscópicos e histopatológicos. Para tanto, este trabalho foi organizado em dois capítulos. O capítulo um, intitulado “Fibrose pulmonar em cavalos associada à intoxicação espontânea por Crotalaria juncea”, foi submetido à revista Toxicon e descreve-se um surto natural de intoxicação por C. juncea em equinos adultos, caracterizando-se por perda de peso, dispneia, incoordenação e comprometimento neurológico terminal. Os achados microscópicos mais relevantes incluíram fibrose pulmonar intersticial difusa, hiperplasia bronquiolar acentuada e bronquiolite fibrosante crônica; necrose centrolobular, dilatação sinusoidal, megalocitose, fibrose porto-central e status spongiosus. Essas alterações descrevem a importância de reconhecer os danos pulmonares e hepáticos crônicos que podem surgir de forma concomitante em equinos expostos à planta. O capítulo dois, intitula-se “Intoxicação experimental em ratos (Rattus norvegicus) por Crotalaria juncea” descreverá um modelo experimental visando à confirmação do potencial pneumotóxico da planta, a partir da investigação de alterações clínicas, bioquímicas e histopatológicas sugestivas de intoxicação crônica por alcaloides pirrolidizínicos, em consonância com os achados descritos na literatura.