Banca de DEFESA: LUCAS GABRIEL PITA DOS SANTOS

Uma banca de DEFESA de DOUTORADO foi cadastrada pelo programa.
DISCENTE : LUCAS GABRIEL PITA DOS SANTOS
DATA : 10/01/2025
HORA: 09:00
LOCAL: Sala de seminário CEGOE
TÍTULO:

CARACTERIZAÇÃO QUÍMICA DE PREPARAÇÕES DE FOLHAS DE Annona squamosa L. E INVESTIGAÇÃO DO POTENCIAL INSETICIDA E ANTIMICROBIANO


PALAVRAS-CHAVES:

Análise bibliométrica; fruta do conde; inseticida natural; mosquito da dengue, gorgulho do milho; toxicidade não-alvo; formulação inseticida.


PÁGINAS: 107
RESUMO:

Metabólitos vegetais têm atraído crescente interesse por seu potencial em biotecnologia, com aplicações em saúde e controle de pragas. Annona squamosa L. (Annonaceae), conhecida como pinha, é uma planta medicinal com frutos comestíveis. Esta tese teve como objetivos: I. Analisar tendências atuais no uso de produtos naturais no controle de insetos de importância para a saúde (Aedes aegypti) e economia (Sitophilus zeamais e Nasutitermes corniger); II. Obter e caracterizar o extrato salino de folhas de A. squamosa quanto à composição química; III. Avaliar o potencial inseticida do extrato contra Ae. aegypti, S. zeamais e N. corniger; IV. Desenvolver uma formulação sólida do extrato e avaliar sua eficácia; V. Investigar o extrato quanto à atividade contra bactérias de mastite caprina. As folhas secas e trituradas de A. squamosa foram homogeneizadas em solução de NaCl 0,15 M, para obtenção do extrato cuja composição foi determinada através das técnicas biofísicas de cromatografia em camada delgada (CCD) e cromatografia líquida de alta eficiência (CLAE). A concentração de proteínas no extrato e a atividade inibidora de protease foram determinadas por espectrofotometria, utilizando métodos colorimétricos. A presença de lectinas foi investigada pela capacidade de aglutinar eritrócitos de coelho. Os efeitos do extrato foram avaliados em larvas de terceiro instar (L3) de Ae. aegypti, adultos de S. zeamais e N. corniger, além da toxicidade não alvo para o microcrustáceo Hyalella sp.. A permeabilidade da membrana peritrófica das L3 de Ae. aegypti após tratamento com o extrato foi determinada pela difusão de carvão ativado para o espaço ectoperitrófico. Comprimidos à base do extrato foram produzidos e caracterizados por análise térmica diferencial (DTA) e espectroscopia de infravermelho por transformada de Fourier (FTIR). Os efeitos desses comprimidos na sobrevivência e morfologia do intestino médio de L3 de Ae. aegypti foram avaliados por microscopia de luz. Além disso, o potencial antibacteriano do extrato foi investigado contra isolados de mastite caprina pelo método de microdiluição em placas. A partir da análise bibliométrica revelou-se que as pesquisas com inseticidas naturais estão concentradas em regiões tropicais, onde as doenças transmitidas por Ae. aegypti são mais comuns. Ademais, o uso de nanopartículas metálicas derivadas de extratos vegetais tem crescido como estratégia para aumentar sua estabilidade e a eficácia. CCD e CLAE identificaram derivados do ácido cinâmico, rutina e ácido clorogênico como metabólitos majoritários do extrato. Proteínas (22,9 mg/mL), incluindo inibidor de tripsina (15,6 U/mg) e lectina (21.333,33 UAHS) também foram detectadas. O extrato matou (CL50 = 1,9% m/v) e alterou a permeabilidade da membrana peritrófica de L3 de Ae. aegypti. Em adultos de S. zeamais, o extrato promoveu forte efeito deterrente alimentar, matando de 51,2% a 63,8% dos insetos por inanição. Nenhuma toxicidade foi detectada para N. corniger, contudo os indivíduos de Hyallela sp. foram sensíveis ao tratamento. DTA revelou um evento exotérmico (450 °C) de degradação de componentes do extrato e FTIR mostrou a presença de aminas secundárias (estiramento N-H) e alifáticas (estiramento C-N) que podem refletir a presença de proteínas. Essas características persistiram quando realizadas misturas binárias entre o extrato e excipientes da formulação, indicando que a interação não altera características físico-químicas do extrato. O tratamento com os comprimidos matou 47% das L3 de Ae. aegypti e acarretou hipertrofia do epitélio e síntese de vesículas apócrinas no intestino médio das larvas. As bactérias isoladas de mastite caprina não foram sensíveis ao tratamento com o extrato. Em conclusão, o efeito inseticida do extrato de folhas de A. squamosa para L3 de Ae. aegypti e adultos de S. zeamais pode estar ligado à presença de lectinas, inibidores de tripsina, rutina e ácido clorogênico e envolve aumento da permeabilidade da membrana peritrófica e forte efeito deterrente alimentar, respectivamente. O comprimido à base do extrato de folhas foi eficiente contra L3 de Ae. aegypti devido a prejuízos à estrutura e funcionamento do intestino médio das larvas. Por fim, o uso do extrato deve envolver cautela devido à alta toxicidade não-alvo observada.


MEMBROS DA BANCA:
Presidente - EMMANUEL VIANA PONTUAL
Interna - TATIANA SOUZA PORTO
Externa à Instituição - ISABELLA COIMBRA VILA NOVA - UFPE
Externo à Instituição - THIAGO HENRIQUE NAPOLEÃO - UFPE
Externo à Instituição - WELTON AARON DE ALMEIDA - UFRPE
Notícia cadastrada em: 08/01/2025 14:41
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