AVALIAÇÃO DE BIOATIVOS DA MICROALGA Chlorella vulgaris PARA CICATRIZAÇÃO DE LESÕES DECORRENTES DE LEISHMANIOSE TEGUMENTAR AMERICANA
Leishmanicida, microrganismos fotossintéticos, moléculas ativas, proteína.
As estratégias terapêuticas utilizadas para leishmaniose tegumentar têm apresentado baixa eficácia, alta toxicidade e resistência do parasito. Alternativas terapêuticas utilizando as microalgas têm demonstrado resultados promissores, o que pode ser explicado pela quimiodiversidade de metabólitos como carboidratos, terpenos e proteínas, incluindo lectinas. Com isso, o objetivo deste trabalho foi avaliar o efeito citotóxico e anti-Leishmania dos bioativos da microalga Chlorella vulgaris. C. vulgaris (UTEX 1803) foi suplementada com 1% de milhocina, concentrada, ressuspensa em Tris-HCl-NaCl 0,15 M, pH 7,5 a 50 mg/mL, sonicada usando dez pulsos de 1 min com um intervalo de 1 min. A fração líquida obtida foi denominada extrato celular (EC) e as proteínas presentes foram precipitadas pela adição de 0-60% de sulfato de amônio e purificadas. A especificidade da lectina (CVU) a carboidratos foi determinada pela capacidade de reduzir a atividade hemaglutinante (AH) com 10 mM de D-frutose, D-galactose, D-glicose, D-glucosamina, D-rafinose e L-arabinose. Os efeitos da variação de temperatura sobre a proteína foram verificados em 30 a 70°C por 30, 60 e 90 minutos e em relação ao pH na faixa de 3-12, enquanto o efeito dos íons na proteína foi determinado com 10 mM de MgSO4, Na2S2O e CaCl2. EC, CVU e Glucantime® foram avaliados quanto ao seu potencial inibitório (IC50) em células promastigotas de L. braziliensis (cepa MHOM/BR/1975/M2903) durante 48 horas e a análise ultraestrutural dos parasitos tratados foi avaliada por microscopia eletrônica de varredura (MEV). A citotoxicidade de EC, de CVU e de Glucantime® foi verificada em células mononucleares de sangue periférico (PBMC) e em células de macrófagos (J774.A1) por 24h. Os índices de seletividade (IS) do EC, de CVU e de Glucantime® foram calculados a partir da relação CC50 (concentração citotóxica a 50% em PBMC e macrófagos) pela IC50 contra as formas promastigotas de L. braziliensis. A viabilidade celular de células do câncer de mama (MDA-MB 231) foi avaliada em 24h de tratamento em diferentes concentrações de EC e CVU, bem como em fibroblastos (L929) por 72h. CVU apresentou maior afinidade pela galactose e pelos íons Mg2+, Ca2+ e Na+, e manteve atividade na temperatura abaixo de 50°C e pH alcalino. EC, CVU e Glucantime® apresentaram valor de IC50 de 161,4, 66,32, 129,18 µg/mL, respectivamente. A análise com MEV demonstrou que as células promastigotas com EC e CVU passaram a apresentar morfologia arredondada, redução de flagelos e encolhimento celular. A CC50 em PBMC do EC foi de 1210, de CVU 116,9, enquanto a de Glucantime® foi >400 µg/mL. EC, CVU e Glucantime® exibiram IS para PBMC de 7,49, 1,76 e >3, respectivamente. A CC50 em macrófagos do EC foi de 164,23, CVU 76,4, enquanto a do Glucantime® foi >400 µg/mL, e exibiram IS para macrófagos de 1,01, 1,15 e >3, respectivamente. EC e CVU mostraram CC50 de 703 e 66 µg/mL sobre fibroblastos, respectivamente. EC e CVU reduziram a viabilidade de células não saudáveis, apresentando CC50 de 469 e 42,47 μg/mL, respectivamente. Dessa forma, é possível inferir que a microalga C. vulgaris apresenta potencial para ser explorada como candidata a novos fármacos anti-Leishmania, o que abre possibilidades de pesquisa com produtos naturais para o tratamento de doenças negligenciadas.