INVESTIGAÇÃO DE ATIVIDADES INSETICIDA E ANTIMICROBIANA DE PREPARAÇÕES DE FOLHAS DE Plectranthus barbatus
Aedes aegypti; inibidor de trpsina; lectina; Plectranthus barbatus; Streptococcus pyogenes
Plectranthus barbatus (Lamiaceae), conhecida como falso boldo, é utilizada na medicina popular com atividades anti-inflamatória, antimicrobiana e inibidora de acetilcolinesterase. Nessa perspectiva, esta Tese hipotetizou que preparações de folhas de P. barbatus podem ser ativas contra fase larval de mosquito vetor de arboviroses e microrganismos causadores de doenças. Assim, o trabalho teve como objetivos caracterizar preparações (extrato, infusão e decocto) de folhas de P. barbatus quanto à presença de metabólitos secundários e proteínas (lectinas e inibidores de tripsina) e investigá-las quanto ao potencial larvicida para Aedes aegypti e antimicrobiano para bactérias patogênicas. Para isso, foram obtidos um extrato de folhas em NaCl 0,15 M, bem como um decoto e uma infusão em água destilada. As três preparações foram caracterizadas quanto à composição de metabólitos secundários por cromatografia em camada delgada (CCD) e por cromatografia líquida de alta eficiência (CLAE-DAD). A presença de lectinas foi investigada utilizando-se eritrócitos de coelho, equanto a presença de atividade inibidora de tripsina utilizou o substrato peptidomimético N-α-Benzoil-DL-arginina-4-nitroanilina (BaPNA). Extrato, infusão e decocto foram investigadas quanto ao efeito na sobrevivência das larvas de A. aegypti no terceiro instar (L3), na atividade das proteases digestivas, na permeabilidade da membrana peritrófica e morfofisiologia do intestino médio de larvas, bem como no crescimento da microbiota intestinal in vitro e na melanogênese in vivo. Em seguida, extrato, infusão e decocto foram estudados quanto à atividade antibacteriana pelo método de microdiluição em placa. Foi determinado o efeito sobre a viabilidade e morfologia das células de Streptococcus pyogenes por citometria de fluxo e possível ação sinérgica utilizando antibióticos comerciais. Análise por HPLC identificou ácido caféico e flavonoides nas três preparações. Uma lectina ligadora de ribose/galactose e polipeptídios com atividade inibidora de tripsina (34, 63 e 66 kDa) resistentes à hidrólise pelas proteases do intestino de L3 foram também encontrados no extrato. Quando investigados como agentes larvicidas, o extrato matou L3 (LC50 de 0,48%, m/v), enquanto o decocto e a infusão não afetaram a sobrevivência das larvas. A incubação do extrato com proteases larvais não alterou as atividades de lectina e inibidora de tripsina. O tratamento de L3 com o extrato na CL50 aumentou a permeabilidade da membrana peritrófica e impediu que as larvas passassem para o quarto instar. A morfologia do intestino médio das larvas não foi afetada pelo extrato, mas o conteúdo de polissacarídeos neutros nas células epiteliais foi reduzido. O extrato estimulou in vitro a proliferação da microbiota intestinal de L3 e aumentou in vivo a produção de melanina pelas larvas. O aquecimento (100°C, 5 h) do extrato acarretou no aumento das atividades de lectina, inibidora de tripsina e larvicida. A infusão e o decocto não interferiram no crescimento e sobrevivência das bactérias patogênicas, enquanto o extrato apenas inibiu o crescimento de S. pyogenes (CMI de 2,0 mg/mL). A análise por citometria de fluxo indicou o aumento da complexidade celular, resultante de danos à superfície celular por ação do extrato, acompanhado da redução no número de células viáveis. O extrato em combinação com os antibióticos Cefalexina e Ciprofloxacina apresentou efeito indiferente frente a S. pyogenes. Em conclusão, o extrato salino foi a preparação de folhas de P. barbatus com melhor atividade, constituindo um novo bioproduto vegetal com potencial larvicida por inibir proteases digestivas, danificar a morfofisiologia do intestino médio e induzir disbiose, causando a morte de L3, e potencial farmacológico por inibir o crescimento e causar dano celular em S. pyogenes.