Paratuberculose ovina: aspectos epidemiológicos-molecular e análise de percepção de médicos veterinários e produtores rurais no estado de Pernambuco, Brasil
Mycobacterium avium subsp. paratuberculosis, Doença de Johne, ovinocultura, epidemiologia, questionários, biosseguridade
A paratuberculose é uma enterite crônica causada pela bactéria Mycobacterium avium subsp. paratuberculosis (Map). A doença afeta ruminantes em todo mundo, inclusive ovinos e que pode causar diversas perdas econômicas quando presente no rebanho. Objetivou-se com esta pesquisa revisar sistemicamente e realizar meta-análise da prevalência geral da infecção por Map em ovinos, realizar um estudo epidemiológico-molecular da infecção em criações de ovinos e analisar a percepção dos médicos veterinários e produtores rurais sobre a doença no estado de Pernambuco, Brasil. Foram analisados 27 estudos após a seleção em seis bases de dados, pertencentes a 18 países e em cinco continentes. Após a meta-análise de modelo aleatório foi verificado prevalência geral de 8.79% (IC 95%, 4.89–13.66). Os valores de prevalência foram separados por região, sendo observado alta heterogeneidade (I2=99%) e diferença significativa entre as regiões (p=0.0319). Para analisar possíveis vieses de publicação, o teste de Egger foi realizado e foi observado viés significativo (p=0.0244). Para o estudo epidemiológico-molecular foram coletadas 276 amostras de sangue e 261 amostras de fezes de ovinos procedentes de dez propriedades do estado de Pernambuco, Brasil. Posteriormente, as amostras de sangue foram submetidas a teste sorológico de Ensaio de Imunoabsorção Enzimática (ELISA; IDEXX Paratuberculosis Screening®). As amostras de fezes foram processadas para o cultivo microbiológico e análise molecular pela Reação em Cadeia da Polimerase (PCR). Das 276 amostras de soro analisadas, 0,72% (2/276) foram positivas na pesquisa de anticorpos anti-Map. Ao exame microbiológico não foram observadas colônias sugestivas de Map, assim como todas as amostras foram negativas na PCR. Um questionário investigativo sobre paratuberculose e práticas de biosseguridade foi aplicado à 84 médicos veterinários buiatras e 54 produtores rurais do estado de Pernambuco. Foram observadas diferenças significativas entre os grupos de médicos veterinários (MV) e produtores rurais (PR) em diferentes questões (p>0.05). Responderam sim ao conhecimento sobre paratuberculose em 97.62% (MV, n=82/84) e 55.56% (PR, n=30/54), enquanto os que responderam se já tiveram casos de paratuberculose foi 26.19% (MV, n=22/84) e 11.11% (PR, n=6/54) (p=0.0013). Sobre práticas de biosseguridade 1.19% (n=1/84) dos médicos veterinários e 44.44% (n=24/54) dos produtores rurais, desconheciam o termo, contudo a medida preventiva mais realizada pelos grupos foi a vacinação com 90.48% (n=76/84) e 100% (n=54/54) para médicos veterinários e produtores rurais, respectivamente. Os resultados da pesquisa sugerem que há uma baixa prevalência da infecção por Map nos rebanhos de ovinos no estado de Pernambuco, Brasil. Apesar da baixa prevalência, se faz necessário um monitoramento periódico nos rebanhos ovinos por se tratar de doença que causa sérios prejuízos aos produtores rurais e que está distribuída em várias regiões do mundo como observado através da prevalência geral da revisão sistemática. Em relação à análise de percepção, pode-se concluir o grupo de médicos veterinários apresenta uma melhor percepção sobre a paratuberculose e práticas de biosseguridade em relação ao grupo de produtores rurais do estado de Pernambuco. Contudo, a adoção de políticas educativas para essa população seja uma forma de melhorar o alcance desse grupo a essas informações.