Avaliação dos efeitos letal e subletais do óleo oriundo do acidente ocorrido no litoral pernambucano em invertebrado marinho
óleo bruto, Tisbe biminiensis, bioensaios, desastre ambiental, contaminação por óleo.
O objetivo desse estudo foi avaliar o efeito do óleo bruto que contaminou o litoral brasileiro. Para isso foram realizados ensaios ecotoxicológicos utilizando como organismo teste o copépodo bentônico Tisbe biminiensis. Os bioensaios tiveram duração de um mês, com troca de água semanal. Foi utilizado 0,5 g de óleo coletado em quatro diferentes praias do litoral pernambucano (Enseada dos Corais, Xaréu, Cupe e Paiva) e 40 mL de água do mar filtrada e ração básica para peixes de aquário macerado. Ao final do período de exposição, o conteúdo foi fixado e corado com Rosa de Bengala para posterior contagem e determinação dos endpoints (número de copépodos, número populacional e percentual de fêmeas). Observações no estereomicroscópio revelaram manchas nos indivíduos, devido a este fato, um novo bioensaio foi realizado para registro fotográfico com as mesmas condições do anterior, usando apenas óleo de duas praias (Enseada dos corais e Paiva), sem uso do corante para melhor visualização ao microscópio. Houve diminuição significativa no número de copépodos (nos grupos expostos ao óleo coletado em Xaréu, Enseada dos Corais e Paiva) e no número populacional (em todas as amostras de óleo testadas). Além disso, verificou-se uma feminização da população, confirmado pelo aumento significativo da proporção de fêmeas em amostras de óleo coletadas na praia de Paiva e Enseada dos Corais. Através dos registros fotográficos verificamos que o óleo é ingerido pela espécie estudada, parte do óleo ingerido contamina o animal, e a outra parte é fragmentada e sai nas pelotas fecais ficando disponível para outros organismos. Sendo assim, concluímos que o óleo que contaminou o litoral brasileiro tem um elevado poder tóxico para o organismo testado.