Leishmaniose Canina no Brasil: Revisão da Prevalência da Infecção e Caracterização Histopatológica da Pele em Cães com Infecção Natural por Leishmania infantum Submetidos ao Tratamento com Marbofloxacina
Doenças zoonóticas; reservatório canino; doenças vetoriais; análise histopatológica; Saúde Única
As leishmanioses são doenças crônicas antropozoonóticas causadas por protozoários do gênero Leishmania, endêmicas em mais de 98 países e consideradas negligenciadas pela OMS, com mais de 1 bilhão de pessoas expostas ao risco de infecção. A forma visceral é causada por Leishmania infantum e, no Brasil, é transmitida principalmente por Lutzomyia longipalpis e Lutzomyia cruzi. O cão exerce papel relevante na manutenção da transmissão, podendo apresentar desde infecção assintomática até manifestações clínicas graves. Considerando a importância em Saúde Única, os estudos objetivaram revisar a prevalência da leishmaniose visceral canina (LVC) no Brasil e avaliar alterações histopatológicas da pele em cães tratados. Foram realizadas buscas nas bases PubMed, SciELO, SCOPUS e Google Acadêmico, utilizando os descritores “canine visceral leishmaniasis”, “Brazil” e “prevalence”, incluindo publicações entre 1963 e 2025 que empregaram ELISA ou diagnóstico molecular em cães domiciliados, errantes ou semidomiciliados. Dos 747 artigos identificados, 190 foram elegíveis, abrangendo 117 municípios (3,43% do total nacional). No estudo histopatológico, amostras de pele de cães com diagnóstico positivo foram coletadas no dia zero (D0) e no dia 45 (D45) após tratamento com marbofloxacina associada ao alopurinol e domperidona. As amostras foram coradas por Hematoxilina-Eosina e avaliadas quanto a alterações na epiderme, derme, sistema monocítico, anexos cutâneos, vasculatura e pigmentação. A prevalência da LVC variou de 0% a 73%, com média de 20,76%. Observou-se predomínio de infiltrado linfoplasmocitário e histiocitário, com discreta redução da intensidade inflamatória após o tratamento.