Pesquisa da infecção e diferenciação molecular das Discrete Type Units (DTUs) de Trypanosoma cruzi em cães (Canis lupus familiaris) e estudo da fauna de triatomíneos no agreste de Pernambuco, Brasil
Vetores, doença de Chagas, DTUs, Distribuição Espacial, Infecção Canina.
Trypanosoma cruzi (Kinetoplastea: Trypanosomatidae) é o agente etiológico da Doença de Chagas (DC), também conhecida como Tripanossomíase Americana (TA). Esse parasito apresenta população heterogênea com sete linhagens reconhecidas, denominadas de Discrete Typing Units (DTU’s). Cães são importantes hospedeiros domésticos de T. cruzi, podendo servir de modelos para o entendimento das manifestações clínicas da doença e fornecendo informações sobre a distribuição atual dessa infecção no Brasil. O objetivo geral deste trabalho é deste trabalho é pesquisar infecção e diferenciação molecular das DTUs de Trypanosoma cruzi em cães e estudar fauna de triatomíneos no agreste de Pernambuco, Brasil. Para tanto esta qualificação apresenta os dois capítulos iniciais desta tese como informações a seguir. Capítulo 1: Avaliou-se a distribuição e as taxas de infecção por T. cruzi em triatomíneos coletados em uma região endêmica para a DC no Nordeste do Brasil. A partir de dados secundários obtidos entre os anos de 2013-2022 oriundos do Sistema Oficial do Programa Nacional de Controle da Doença de Chagas - SisPCDCh, obteve-se um total de 7.257 espécimes de triatomíneos coletados, sendo a maioria (6.792; 93,6%) encontrada no intradomicílio e 465 (6,4%) no peridomicílio. As espécies mais frequentes foram Panstrongylus lutzi (39.8%), seguido por Triatoma brasiliensis (37%), Triatoma pseudomaculata (18.5%) e Panstrongylus megistus (4.32%). O estudo revelou ainda uma taxa de infecção de 7,1% para formas tripomastigotas semelhantes ao T. cruzi. Capítulo 2: Sintetizou-se os dados disponíveis sobre a infecção de cães por Trypanosoma cruzi no Brasil, com ênfase na distribuição dos casos e nos métodos diagnósticos aplicáveis à prática clínica veterinária. Neste estudo, ficou evidenciado a carência de informações sobre a distribuição da infecção em cães no país, onde a maioria de estudo são relatos de caso ou estudos pós morte. Por fim, conclui-se que a presença de triatomíneos infectados em áreas de intra e peridomicílio alerta para a implementação de ações de vigilância, como educação em saúde nas áreas de maior vulnerabilidade de ocorrência desses vetores. Cães podem servir de fontes contínuas de alimentos para esses vetores, contribuindo para a manutenção da cadeia epidemiológica da infecção, aumentando o risco para populações humanas.