Doenças infectoparasitárias de animais silvestres no estado da Paraíba no contexto da Saúde Única
parasitos; bactérias; patologia; zoonoses; conservação
A crescente expansão das atividades humanas tem resultado em uma maior interação humanos-animais domésticos-animais silvestres, favorecendo o compartilhamento de agentes infectoparasitários que podem comprometer a saúde humana, a saúde animal, a conservação da biodiversidade e dos ecossitemas. Portanto, compreender o contexto da ocorrência dessas infecções é de fundamental importância na abordagem Saúde Única, que reconhece a interconexão e a indissociabilidade entre a saúde humana, animal, das plantas e dos ecossistemas. Dessa maneira, objetivou-se nesse estudo retrospectivo, conhecer os agentes infectoparasitários de animais silvestres e pets não convencionais no estado da Paraíba. Para isso, foram analisados os registros de necropsia e biópsia realizadas no período de janeiro de 2013 a dezembro de 2023 do Laboratório de Patologia Veterinária da Universidade Federal da Paraíba (LPV-UFPB). Durante esse período, o LPV-UFPB recebeu um total de 1159 amostras biológicas de animais silvestres ou pets não convencionais, sendo identificados 183 animais (15,8%) acometidos por agentes infecciosos e/ou parasitários, sendo: 60,10% aves, 31,14% mamíferos, 8,19% répteis e 0,54% peixes. A avaliação da procedência dos animais revelou que 50,72% das aves, 40,35% mamíferos e 13,33% répteis foram oriundos de unidades de conservação. Entre os animais de vida livre, 60% eram répteis, 16,36% aves e12,28% mamíferos; enquanto que os animais mantidos sob cuidados humanos, 100% eram peixe, 12,72% eram aves e 12,28% mamíferos. A infecção bacteriana prevaleceu nas aves (53,63%). Os agentes etiológicos mais frequentes foram Escherichia coli (52,54%) e Salmonella spp. (18,64%), bactérias com potencial zoonótico, que merecem destaque principalmente em animais mantidos sob cuidados humanos. Os resultados obtidos tanto nos animais de vida livre quanto mantidos sob cuidados humanos demontram a importância da abordagem de Saúde Única para a conservação e saúde da biodiversidade e dos ecossitemas, assim como da saúde humana.