Biossíntese de nanopartículas de prata por Actinomicetos com atividade antimicrobiana frente à isolados multirresistentes de mastite
síntese verde, actinomicetos, nanomateriais, infecção da glândula mamária.
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A mastite é um problema recorrente na pecuária leiteira, determinada pela inflamação da glândula mamária causada por microrganismos patogênicos, geralmente bactérias. Essa infecção acarreta perdas irreparáveis tanto ao animal como ao produtor. O tratamento ocorre por antibioticoterapia, porém o uso indiscriminado de antibióticos tem causado resistência bacteriana, algumas drogas já não fazem efeito diante de certo grau da infecção. Diante desse cenário têm-se buscado por auxílio e estratégias de controle da mastite. A nanotecnologia verde vem ganhando espaço em diversas áreas com a produção de nanomateriais. As nanopartículas de prata (AgNPs) ganham destaque por sua propriedade antimicrobiana tornando-se promissoras frente a bactérias causadoras de mastite bovina e caprina. O objetivo desse trabalho foi selecionar a melhor linhagem de actinomicetos capaz de biossintetizar nanopartículas de prata, a partir de seus metabólitos, com propriedade antibacteriana para testar frente a bactérias isoladas de mastite bovina e caprina. As linhagens utilizadas no para o processo de síntese foram Streptomyces sp. DPUA 1557, Streptomyces malasyensis DPUA 1571, Streptomyces parvulus DPUA 1573. As melhores condições de biossíntese de AgNP foram definidas a partir de planejamento fatorial 23 avaliando a interação de três variáveis (concentrações de amostra, da solução de prata e pH). A caracterização das AgNPs fora realizada por espectroscopia ultravioleta-visível (UV-vis), potencial zeta, dispersão dinâmica de luz (DLS), espectroscopia de infravermelha de transformada de Fourier (FTIR), microscopia eletrônica de transmissão (MET) e varredura (MEV) com energia dispersiva de raios-x (EDS), também foi investigada a citotoxicidade diante de células de adenocarcinoma humano da glândula mamária e macrófagos. A atividade antibacteriana das AgNPs, foi avaliada na concentração inibitória mínima (CIM) em diferentes concentrações (68, 51, 34, 17 e 3,4 µg/ml) frente a isolados de mastite bovina e caprina. Apenas uma linhagem foi selecionada (Streptomyces sp. DPUA 1557) com capacidade de sintetizar AgNP, apresentando banda de ressonância plasmônica superficial na região próxima ao comprimento 400nm; quanto ao potencial zeta houve pico único de AgNP a -26,46 mV. As condições mais favoráveis para síntese de AgNPs, foram verificados em pH 7.0, concentração do líquido fermentado 12,5 mL e concentração da solução de prata em 5,5 mM. O espectro FTIR revelou vários picos de grupos funcionais (alcanos, alcenos, aminas, sulfonamidas e éteres). A micrografia MET, MEV e EDS revelaram a natureza policristalina de formato esférico com presença de prata elementar no pico de 3 keV. As AgNPs sintetizadas por actinomicetos foram tóxicas para as células estudadas, em especial para células neoplásicas. As AgNPs provenientes da linhagem Streptomyces sp. DPUA 1557 apresentou inibição para bactérias de ambas as mastites estudadas em testes realizados in vitro, sugerindo a produção de um possível novo produto como alternativa de tratamento à antibioticoterapia convencional, a base de AgNPs. |