Banca de QUALIFICAÇÃO: LUCAS GABRIEL PITA DOS SANTOS

Uma banca de QUALIFICAÇÃO de DOUTORADO foi cadastrada pelo programa.
DISCENTE : LUCAS GABRIEL PITA DOS SANTOS
DATA : 10/11/2023
HORA: 14:00
LOCAL: Goole meet
TÍTULO:

Caracterização Química de Preparações de Folhas de Annona Squamosa L. e Investigação do Potencial Inseticida e Antimicrobiano


PALAVRAS-CHAVES:

Análise bibliométrica; fruta do conde; inseticida natural; mosquito da dengue, gorgulho do milho; toxicidade não-alvo; formulação inseticida


PÁGINAS: 80
RESUMO:

A alta toxicidade ambiental dos inseticidas atualmente utilizados e o surgimento de populações de insetos resistentes têm levado à busca por novos agentes para o controle populacional de insetos-praga. Outro problema atual é a ocorrência de mastite que acarreta sérios prejuízos para a pecuária leiteira ao nível mundial. Nesse sentido, a presente tese teve como objetivos: I - Revisar o estado da arte e tendências recentes no tema de atividade inseticida de produtos naturais contra as espécies de insetos que atuam como praga urbana, agrícola ou vetor de doenças; II - Realizar a caracterização do extrato de folhas de Annona squamosa quanto à presença de metabólitos secundários, lectinas e inibidor de tripsina; III – Investigar o extrato quanto à toxicidade para Aedes aegypti, Sitophilus zeamais e Nasutitermes corniger, bem como para organismos não alvo do gênero Hyalella; IV – Desenvolver uma formulação sólida do tipo comprimido a base do extrato de folhas de A. squamosa e avaliar seus efeitos sobre larvas de Ae. aegypti e V - Investigar o potencial antimicrobiano do extrato contra isolados de mastite caprina. As tendências recentes das pesquisas envolvendo bioativos vegetais contra Ae. aegypti, de S. zeamays e N. corniger foi revisada através de análise bibliométrica. Folhas de A. squamosa foram secas e homogeneizadas (10 g) com NaCl 0,15M (100 mL). Após centrifugação e diálise, o sobrenadante livre de material em suspensão correspondeu ao extrato que foi analisado por cromatografia líquida de alta eficiência. Em seguida foram determinadas a concentração de proteínas por método colorimétrico, a presença de lectinas utilizando eritrócitos de coelho e a atividade inibidora de protease utilizando tripsina comercial e o substrato Nα-Benzoil-DL-arginina 4-nitroanilida (BApNA). O potencial inseticida do extrato foi investigado contra larvas de terceiro instar (L3) de Ae. aegypti, adultos de S. zeamays, bem como operários e soldados de N. corniger, enquanto a toxicidade não alvo foi avaliada para o microcrustáceo Hyalella sp. Os comprimidos à base do extrato de folhas foram produzidos e investigados quanto aos efeitos na sobrevivência e na morfologia do intestino médio de L3. Em adição, o efeito do extrato no crescimento de isolados de mastite caprina também foi investigado. A análise bibliométrica revelou a concentração das pesquisas sobre atividade inseticida de produtos naturais nas regiões tropicais do mundo, onde há maior ocorrência das doenças causadas por Ae. aegypti, que corresponderam ao maior número de relatos, em comparação com N. corniger e S. zeamais. Ademais, a síntese de nanopartículas metálicas a partir de produtos naturais apareceu como forte tendência atual. A caracterização do extrato revelou a presença de derivados do ácido cinâmico, rutina e ácido clorogênico, além de proteínas (22,9 mg/mL), incluindo lectinas (21.333,33 UAHS) e inibidores de tripsina (15,6 U/mg). O extrato causou mortalidade (CL50 = 1,9% m/v) e alterou a permeabilidade da membrana peritrófica das larvas de Ae. aegypti, bem como exerceu forte efeito deterrente de alimentação e matou adultos de S. zemais com taxas de mortalidade variando de 51,2% a 63,8%. O extrato não afetou a sobrevivência de soldados e operários de N. corniger, mas os indivíduos juvenis de Hyallela sp. foram fortemente sensíveis ao tratamento. Os comprimidos à base do extrato de folhas mataram 47% das L3 na concentração equivalente à CL50 do extrato livre e acarretaram danos à morfologia do intestino médio das larvas, incluindo hipertrofia do epitélio e a síntese de vesículas apócrinas. O extrato não foi capaz de interferir no crescimento de bactérias causadoras de mastite caprina. Em conclusão, o extrato de folhas de A. squamosa mata L3 de Ae. aegypti e adultos de S. zeamais, por aumentar a permeabilidade da membrana peritrófica e exibir um forte efeito deterrente alimentar, respectivamente. Contudo, o uso do extrato deve envolver cautela devido à sua alta toxicidade não-alvo. Os efeitos do extrato podem estar ligados à presença de lectinas, inibidores de tripsina, rutina e ácido clorogênico. O comprimido à base do extrato de folhas foi sintetizado com sucesso e matou L3 por causar danos à estrutura do intestino médio das larvas. Outrossim, as tendências recentes em pesquisas com nanopartículas metálicas a partir de extratos vegetais pode ser levada em consideração em futuras formulações para aumentar a estabilidade e a eficácia larvicida do extrato de folhas de A. squamosa.


MEMBROS DA BANCA:
Presidente - EMMANUEL VIANA PONTUAL
Interna - TATIANA SOUZA PORTO
Externa à Instituição - LEYDIANNE LEITE DE SIQUEIRA PATRIOTA - UFPE
Notícia cadastrada em: 07/11/2023 08:14
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