Helmintofauna e composição alimentar de espécies da família Amphisbaenidae (Squamata, Amphisbaenia) do Brasil
Anfisbênias, endoparasitos, helmintos, hábito alimentar, dieta.
Amphisbaenia é um grupo de Squamata constituído por espécies com adaptações morfológicas para um estilo de vida fossorial. Sua dieta é composta, principalmente, por artrópodes, com algumas espécies apresentando uma dieta mais seletiva, enquanto outras são consideradas generalistas. O modo de vida das anfisbênias também pode influenciar o parasitismo, e esses indivíduos podem atuar como hospedeiros de diversos grupos de endoparasitos. O presente estudo teve por objetivo analisar a helmintofauna e a composição alimentar de 13 espécies da família Amphisbaenidae (Amphisbaena alba, A. camura, A. darwinii, A. kingii, A. mertensii, A. munoai, A. nana, A. pretrei, A. prunicolor, A. tiaraju, A. trachura, A. vermicularis e Leposternon polystegum), das regiões Nordeste, Sudeste, Centro-Oeste e Sul do Brasil. Foram utilizados, exclusivamente, espécimes emprestados de coleções científicas. Quanto à helmintofauna, foram registrados 24 taxa de helmintos, para os grupos Nematoda (17 spp.), Trematoda (5 spp.), Cestoda (1 sp.) e Acanthocephala (n= 1 sp.). Todas as anfisbênias apresentaram novos registros de helmintos, totalizando 55 novas ocorrências, inclusive o primeiro registro de Rhabdias spp. e de cistacanto de Acanthocephala infectando anfisbênias. O nematoide Paradollfusnema amphisbaenia (infectando 8 spp.) e o trematódeo Pneumotrema cf. travassosi (infectando 5 spp.) foram as espécies de helmintos com maior frequência nas anfisbênias analisados. Com relação à composição alimentar, os indivíduos apresentaram uma dieta característica de predadores generalistas e consumiram principalmente cupins, baratas, larvas de besouros e formigas. É apresentado também uma tabela atualizando os registros anteriores de helmintos e dos principais itens que compõem a dieta para as espécies do grupo Amphisbaenia. Devido ao hábito fossorial, pesquisas envolvendo anfisbênias só são possíveis, principalmente, através de parcerias com curadores de coleções científicas. Nesse sentido, esse estudo pode contribuir também com informações sobre o hábito alimentar e padrões de infecção por helmintos que podem ser usadas na elaboração de estratégias de conservação para anfisbênias.