Avaliação do potencial antimicrobiano de extratos de plantas utilizadas em medicina popular no estado de Pernambuco
antioxidante. metabólitos secundários. produtos naturais. resistência antimicrobiana.
Tendo em vista o aumento contínuo da resistência antimicrobiana a fármacos comerciais e a necessidade de novos componentes que possam ser atuantes contra patógenos, o presente trabalho de pesquisa teve por objetivo realizar estudo de composição química e avaliação do potencial antimicrobiano de extratos de plantas utilizadas em medicina popular, no estado de Pernambuco. Dez plantas foram coletadas ou adquiridas junto a raizeiros da região e identificadas, amora (Morus alba), aroeira (Schinus terebinthifolius), cajueiro-roxo (Anacardium occidentale), capim limão (Cymbopogon citratus), gengibre (Zingiber officinale), mandacaru (Cereus jamacaru), pitanga (Eugenia uniflora), sambacaitá (Hyptis pectinata), unha-de-gato (Uncaria tomentosa) e uxi-amarelo (Endopleura uchi). Em seguida foram preparados extratos etanólico brutos destas plantas, bem como as frações aquosas, clorofórmicas e hexânicas a partir destes extratos. Os extratos e frações foram testados frente a bactérias Staphylococcus aureus, Enterococcus faecalis, Bacillus subtilis, Listeria monocytogenes, Escherichia coli, Klebsiella pneumoniae, Pseudomonas aeruginosa e Salmonella typhimurium. Os isolados foram testados quanto ao perfil de susceptibilidade aos antimicrobianos pelos testes de Difusão em Disco nas concentrações de 10 e 20 mg.mL-1 e Concentração Inibitória e Bactericida Mínima (CIM) nas concentrações de 0,195 a 25 mg.mL-1. Foi realizada a quantificação do teor de compostos fenólicos e flavonóides, pelo ensaio Folin-Ciocalteu e pelo método colorimétrico com cloreto de alumínio, avaliado também o potencial antioxidante pelos métodos de sequestro de radial 2,2-difenil-1-picril-hidrazil (DPPH) e 2,2’-azinobis-3-etilbenzotiazolina-6-ácido sulfônico (ABTS) das plantas aroeira e pitangueira, uma vez que as mesmas demostraram maior potencial antimicrobiano. Foi observado que, pelo teste de Difusão em Disco que os extratos etanólico bruto de maior atividade foram aroeira e pitangueira, respectivamente. Entre as frações testadas, as frações aquosas de ambas as plantas mostraram maior potencial de inibição, atuando frente todas as cepas gram-positivas e gram-negativas testadas. Foi possível identificar que extrato bruto da aroeira mostrou melhor atividade para todas a cepas testadas em especial para B. subtilis, E. faecalis, L. monocytogenes, S. aureus, E. coli e K. pneumoniae com valores de CIM variando de 0,78 a 1,56 mg.mL-1 o que demonstra uma atividade moderada do mesmo frente a estas cepas. A análise quantitativa do conteúdo de compostos fenólicos totais revela maior presença dos mesmos nas frações aquosas em seguida os extratos brutos, já o conteúdo de flavonoides totais foi mais expressivo para os extratos brutos, para ambas as plantas. Os resultados do presente estudo sugerem que para a maioria das cepas gram-positivas e gram-negativas testadas, S. terebinthifolius mostra atividade moderada, destacando um possível potencial para sua atuação como antimicrobiano de amplo espectro. Por sua vez, E. uniflora, apesar de apresentar menor potencial de inibição pelo teste CIM quando comparado com a S. terebinthifolius, ainda mostra potencial biológico, o que pode fomentar novas pesquisas. Ambas as plantas mostram elevado teor de compostos fenólicos e flavonoides, bem como, um excelente potencial antioxidante.