AVALIAÇÃO DOS EFEITOS DO EXTRATO SALINO E LECTINA DE FOLHAS DE Schinus terebinthifolia RADDI SOBRE Staphylococcus
Aroeira, Staphylococcus aureus, mastite, microrganismo resistente, extrato vegetal, lectina
Os antibióticos utilizados atualmente para tratamento de mastite podem afetar a saúde do úbere e levar ao surgimento de microrganismos resistentes. O extrato salino de folhas de Schinus terebinthifolia (ES) e a lectina isolada a partir dele (SteLL) têm ação antimicrobiana previamente relatada. O objetivo desta Dissertação foi: 1. Realizar uma revisão narrativa sobre a ação de compostos de origem vegetal contra agentes causadores de mastite; 2. Investigar o efeito de ES sobre cepas de Staphylococcus isoladas de mastite caprina e 3. Avaliar o potencial antibacteriano de SteLL contra isolados de S. aureus sensível (UFPEDA 02) e resistente à Oxacilina (UFPEDA 670). Estudos previamente publicados foram acessados nas principais bases de dados e um artigo de revisão foi construído, considerando os principais mecanismos de ação antimicrobiana dos compostos vegetais. Folhas de S. terebinthifolia foram homogeneizadas em NaCl 0,15M para obtenção de ES, e SteLL foi isolada por cromatografia em coluna de quitina. O efeito de ES sobre o crescimento e sobrevivência de cepas de S. aureus isoladas de mastite (S. aureus 24 - Sa24, S. aureus 32 - Sa32, Sthaphylococcus sp. 1 - Ssp1 e Sthaphylococcus sp. 2 - Ssp2) foi avaliado através da determinação da concentração mínima inibitória (CMI) e mínima bactericida (CMB). Em seguida, a curva de crescimento dos isolados foi determinada e a atividade antibiofilme de ES foi investigada pelo método do cristal violeta. O potencial de ES para ação sinérgica com os antibióticos Carbapenema e Cefalexina foi também avaliado. Adicionalmente, a CMI e CMB de SteLL frente UFPEDA 02 e UFPEDA 670 foram determinadas e a viabilidade das células bacterianas foi investigada por citometria de fluxo. O potencial antibiofilme de SteLL foi também avaliado. A revisão revelou que a toxicidade dos antimicrobianos vegetais para causadores de mastite pode envolver principalmente danos à parede celular, peroxidação lipídica, alteração do potencial transmembrana, estresse oxidativo, formação de poros de membrana e alterações morfométricas que levam à apoptose ou aumento na permeabilidade celular. A atividade antibiofilme pode resultar da inibição da adesão dos microrganismos, interferência dos autoindutores de quorum sensing e/ou degradação da matriz exopolimérica, danificando a estrutura tridimensional do biofilme. ES inibiu o crescimento de Sa24, Sa32, Ssp1 e SSp2 (CMI de 1800, 900, 450 e 225 μg/mL, respectivamente) mas não interferiu na sobrevivência dos isolados. A formação de biofilmes pelos isolados foi prejudicada por ES, contudo o crescimento de células planctônicas foi afetado apenas nas cepas Sa32, Ssp1 e Ssp2. ES também exerceu ação sinérgica em combinação com os antibióticos contra todos os isolados. SteLL foi agente bacteriostático e bactericida para os isolados UFPEDA 02 e UFPEDA 670 com CMI de 12,5 e 25 μg/mL e CMB de 50 e 100 μg/mL, respectivamente. SteLL inibiu o crescimento de forma dose-dependente e prejudicou parâmetros morfométricos relacionados ao tamanho, forma e complexidade celular das cepas sensível e resistente, bem como inibiu a formação de biofilme de UFPEDA 02 e de UFPEDA 670. Em conclusão, ES é um agente antimicrobiano por afetar o crescimento e a formação de biofilmes por isolados de mastite, e a toxicidade de SteLL para S. aureus envolve a inibição do crescimento, indução de morte celular e inibição da formação de biofilmes.