Descrição Morfológica e Vascular do fígado de Bradypus variegatus SCHINZ, 1825 (Mammalia: Pilosa)
Palavras-chave: Xenarthra, bicho-preguiça, vascularização, vias biliares, histopatológico, macroscopia
Os bichos-preguiça são mamíferos pertencentes à ordem Pilosa, e vêm sofrendo com ações antrópicas devastadoras. Esses animais possuem hábito arborícola e dieta pautada a folhas e brotos, a qual pode conter teor tóxico em sua composição, enaltecendo a importância de um melhor conhecimento dos sistemas orgânicos, destacando o que se refere a atividade hepática nesses animais. Nesse contexto, propôs-se realizar uma descrição morfológica e vascular do fígado, em diferentes condições e técnicas, com o intuito de colaborar com a literatura, preservação e clínica médica das preguiças. Para tal, foram utilizados 22 animais, sendo 21 cadáveres oriundo Centro de Triagem de Animais Silvestres do CETASe um vivente em condições de semi-cativeiro, pertencente ao Instituto Preguiça de Garganta Marrom do Parque Estadual Dois Irmãos, todos da espécie Bradypus variegatus. Foram realizadas análises em 16 animais no pavilhão de Anatomia, com o intuito de descrição morfológica. Assim sendo, os espécimes foram fixados com formaldeído a 20% e conservados em solução salina a 30%, para posterior análise, tal como esqueletopia, sintopia, histologia e descrição vascular. Em 13 dos 16 animais, foi realizada a técnica de injeção de látex, com o intuito de obter uma visualização fidedigna dos vasos, onde o látex acrescido com a coloração vermelha e injetado na artéria hepática de quatro animais, destacando a vascularização do órgão, assim como foi injetado na veia porta hepática de cinco animais na coloração azul, para visualização do sistema venoso portal, por fim foi canulado o ducto biliar em quatro animais com a mesma substância já descrita e coloração verde, até o preenchimento das vias biliares. Posteriormente foram fixados em formaldeído a 20% e conservados em solução salina a 30% para posterior dissecação. Em um animal foi realizada a técnica de vinilite, onde o vinil foi reparado e mantido em recipiente de vidro por 48h, em seguida foi acrescido tinta óleo amarela para o ducto colédoco, azul para veia porta hepática e vermelho para artéria hepática, a solução corada foi injetada em cada vaso descrito acima, em seguida o órgão foi retirado e colocado em um recipiente com água por 24h, logo após exposto a solução de HCL (ácido clorídrico) por 5 dias, em seguidaretirado para análise dos vasos. Com relação a histopatologia foram usados fragmentos do fígado de quatro bichos-preguiça, foram fixados em formaldeído tamponado a 10% e submetido ao processo e inclusão de parafina, para realização de cortes sagitais de 4 um, em seguida corados com hematoxilina-eosina e posteriormente analisados. Em uma fêmea saudável em condições semi-cativeiro, foi realizado o exame de tomografia, para tal, o animal foi sedado e colocado em decúbito ventral no tomógrafo para realização do exame. Posteriormente as imagens foram analisadas com intuito de obter uma visão fiel do órgão em sua posição e localização natural e condições do fígado. O fígado apresentou duas faces, uma convexa em direção ao diafragma (face diafragmática) e outra côncava voltada para os órgãos abdominais (face visceral), com quatro lobos principais, lobo esquerdo, lobo direito, lobo quadrado e lobo caudado com seu processo caudado, apresentando-se na região abdominal cranial do antímero direito, cranialmente entre a 7ª e 9ª costela e caudalmente entre 13ª e 14ª costela, o que variou entre macho e fêmea. Na vascularização hepática, foi observado que, ao adentrar no órgão a artéria hepática dividiu-se em dois ramos, um direito e outro esquerdo os quais subdividiram-se emitindo ramos de menor calibre para todos os lobos encontrados no fígado da preguiça comum. Nas vias biliares, o ducto hepático resultou da confluência de três ramos que confluíram-se para formar um ramo comum. De acordo com os achados histopatológicos do fígado foram observados, focos necróticos, o que pode estar associado a alguma anormalidade do aporte vascular, processos inflamatórios o qual pode esta relacionada à defesa do órgão no combate de agentes estranhos, assim como dilatações nos sinusóides, e encapsulamento de patógeno.