Perfil de resistência antifúngica em Sporothrix brasiliensis e investigação da infecção por Toxoplasma gondii em cães, gatos e humanos na Região Metropolitana do Recife, Pernambuco
Epidemiologia; resistência antifúngica; zoonoses emergentes; Esporotricose; Toxoplasmose
A abordagem integrada visa unir os diferentes elementos que valorizam a prevenção e a promoção da saúde, bem como o tratamento de doenças. A prevenção de doenças negligenciadas como a esporotricose e a toxoplasmose tem sido tema de discussões nos sistemas de saúde de diversos países. Essas enfermidades, embora diferentes em sua etiologia e sintomatologia, apresentam características de complexidade para a Saúde Pública, uma vez que têm um grande impacto na qualidade de vida das pessoas e no sistema de saúde. Objetivou-se avaliar a resistência a antifúngicos em isolados de Sporothrix brasiliensis provenientes de amostras de caninos e felinos, bem como investigar a ocorrência de anticorpos IgG anti-Toxoplasma gondii em cães e gatos na Região Metropolitana do Recife, Pernambuco, e avaliar a prevalência da toxoplasmose em humanos, especialmente em gestantes e recém-nascidos. Foram analisados 63 isolados de Sporothrix brasiliensis, cada isolado foi avaliado na sua forma filamentosa e de levedura, com objetivo de avaliar a sensibilidade do fungo aos antifúngicos em ambas fases de crescimento, usando métodos de microdiluição em caldo (CIM) baseados nos protocolos de referência M38-A2 e M27-A3 recomendados pelo Clinical and Laboratory Standards Institute”. Foram identificados isolados sensíveis a terbinafina com média geométrica (MG) de 0,04 μg/ml para forma de micélio e 0,05 μg/ml para a forma de levedura. Anfotericina foi o antifúngico com maior MG do CIM para a fase filamentosa (2,0671 μg/ml) e para a fase leveduriforme, o Itraconazol apresentou a maior MG (2,6918 μg/ml). Foram coletadas 625 amostras de sangue (364 de felinos e 261 de caninos) e analisadas pela Reação de Imunofluorescência Indireta (RIFI). Os resultados indicaram soropositividade em 26,64% dos gatos e 18,39% dos cães, com uma prevalência maior nos municípios de Recife e Jaboatão dos Guararapes. A coabitação de cães com gatos, que são os principais hospedeiros definitivos do parasito, sugere que os cães podem atuar como sentinelas epidemiológicas, refletindo a contaminação ambiental e o risco potencial para humanos. O estudo ainda identificou uma significativa prevalência de casos de toxoplasmose em gestantes, o que destaca a importância da vigilância e controle da doença em populações humanas vulneráveis. O conhecimento obtido nesse estudo poderá contribuir gerando informações epidemiológicas importantes e poderá ajudar a direcionar medidas de controle e prevenção específicas para essas regiões.