Estudo epidemiológico e econômico da mastite subclínica bovina por Staphylococcus aureus, Staphylococcus não-aureus e Mammaliicoccus no Estado de Pernambuco, Brasil
Staphylococcus spp. Mammaliicoccus. Glândula mamária. Vacas. Multirresistência. Epidemiologia. Economia.
Objetivou-se com esta pesquisa investigar a prevalência da mastite subclínica bovina por Staphylococcus (S.) aureus, S. não-aureus e Mammaliicoccus (NASM, sigla em inglês), enfatizando-se S. aureus multirresistentes (MDRSA, sigla em inglês), e avaliar o impacto econômico na produção de leite no estado de Pernambuco (PE), Nordeste do Brasil. Foram coletadas 2.444 amostras de leite, 40 suabes de utensílios de ordenha, cinco amostras de leite de tanque e 22 suabes de ordenhadores (11 nasais e 11 de mãos) em cinco propriedades leiteiras na região Agreste Meridional de PE. Foram identificados 308 isolados de Staphylococcus spp. e Mammaliicoccus spp., dos quais 191 foram classificados em S. aureus e 124 em NASM, pela técnica MALDI-TOF MS. Dentre os isolados de S. aureus, 98.43% foram obtidos de amostras de leite (n = 188), 0.52% de amostra de leite de tanque (n = 1) e 1.05% de utensílios de ordenha (n = 2). Realizou-se a detecção dos genes de resistência blaZ, mecA e mecC por PCR, e para o teste de resistência antimicrobiana e triagem dos isolados de MDRSA, utilizou-se a técnica de Disco-Difusão. Identificaram-se 7.33% dos isolados de S. aureus como MDRSA (n = 14), sendo 85.7% de amostras de leite (n = 12), 7.15% de leite de tanque (n = 1) e 7.15% de utensílio de ordenha (n = 1). Nesses isolados multirresistentes, buscou-se identificar genes de bombas de efluxo (norA, norC, msrA e tet38) e de formação de biofilme (bap, icaA e icaD), bem como analisar a capacidade fenotípica de produção de biofilme. Além disso, foram empregadas as técnicas PFGE e MLST para investigar a correlação genética dos isolados MDRSA, identificando-se os complexos clonais CC97 (ST126) e CC1 (ST7440). Também foi realizada uma avaliação dos fatores de risco associados à mastite subclínica causada por MDRSA por regressão logística e observou-se que os isolados de MDRSA tiveram maior probabilidade de serem exclusivos de um rebanho específico (p = 0.05) e vacas multíparas e primíparas tiveram chances semelhantes de desenvolver mastite subclínica por MDRSA (p = 0.56). Para análise do impacto econômico da mastite por Staphylococcus e Mammaliicoccus utilizou-se a regressão linear. Foram utilizados os dados de 342 vacas em lactação, 155 vacas como controle negativo (155 quartos saudáveis) e 187 vacas com mastite subclínica por Staphylococcus e Mammaliicoccus (257 quartos infectados). Constatou-se que a infecção por Staphylococcus e Mammaliicoccus resultou em uma diminuição na produção de leite e um aumento na contagem de células somáticas (CCS), impactando o retorno econômico. Apesar de não ter havido uma diferença estatisticamente significativa no retorno econômico entre vacas sadias e infectadas (p = 0,09), houve uma indicação de que o retorno foi menor em US$ 0,35 em vaca infectadas. Para investigar a mastite subclínica por MDRSA em um rebanho com histórico de mastite por S. aureus, testaram-se durante três semanas consecutivas, 224 vacas em lactação (88 primíparas e 136 multíparas). Foram identificados 49 isolados de S. aureus causando mastite subclínica em 16,5% (37/224) das vacas amostradas. Um dos isolados foi confirmado como MDRSA na técnica de Disco-Difusão em mastite subclínica em uma vaca primípara na amostragem da terceira semana. Essa identificação traz uma alerta quanto ao possível papel de vacas primíparas como “reservatórios” de MDRSA nos rebanhos leiteiros. Nesse cenário, os resultados obtidos evidenciam a importância dos estudos epidemiológicos e da análise econômica da mastite e servem como subsídio para o desenvolvimento de estratégias direcionadas para prevenção e controle da infecção por Staphylococcus e Mammaliicoccus.