Banca de QUALIFICAÇÃO: ELINE ALMEIDA RODRIGUES DE SOUZA

Uma banca de QUALIFICAÇÃO de DOUTORADO foi cadastrada pelo programa.
DISCENTE : ELINE ALMEIDA RODRIGUES DE SOUZA
DATA : 19/05/2022
HORA: 08:30
LOCAL: Plataforma on-line
TÍTULO:

Investigação epidemiológica e fatores de risco de infecção pela Coxiella burnetii, agente da Febre Q, em população predisponente e animais oriundos do semiárido pernambucano


PALAVRAS-CHAVES:

Zoonose, doença negligenciada, caprino, ovino, Nordeste


PÁGINAS: 60
RESUMO:

A febre Q é uma zoonose conhecida mundialmente, causada por uma γ-proteobactéria Gram-negativa, Coxiella burnetii, que possui uma alta transmissibilidade e pode se espalhar por longas distâncias através do vento, sendo a inalação de poeira aerossolizada contaminada sua principal via de infecção. A ingestão de leite ou queijo não pasteurizado é considerada um risco adicional, e os carrapatos podem contribuir para a transmissão de C. burnetii entre animais selvagens e domésticos. Caprinos, ovinos e bovinos são considerados as principais fontes de infecção humana, por poderem liberar alta carga bacteriana para o ambiente através de secreções vaginais, produtos de parto, urina, fezes, sêmen e leite. A doença pode ocorrer de forma assintomática, no entanto, quando presente, a sintomatologia ocorre de forma inespecífica tanto em humanos quanto em animais, sendo necessário o conhecimento de sua epidemiologia principalmente em áreas onde a criação de caprinos e ovinos possui grande importância para a economia local, como ocorre no Nordeste do Brasil, região responsável por grande parte da criação desses animais. Dessa forma, o objetivo do estudo foi investigar a presença de infecção por C. burnetii em amostras de humanos susceptíveis à doença, pequenos ruminantes e carrapatos, em uma área considerada fator de risco localizada no semiárido do Nordeste brasileiro. Assim, a sorologia foi realizada através da Reação de Imunofluorescência Indireta (RIFI) com amostras de soro de caprinos, ovinos e humanos, e detecção de DNA de C. burnetii foi realizada pela Reação em Cadeia da Polimerase (PCR) em amostras de sangue, leite, swab vaginal e fezes. Não foram encontrados carrapatos nos animais. Amostras com DNA positivo para C. burnetii, foram submetidas ao sequenciamento desse material genético e posteriormente foi realizada a análise filogenética. Primeiramente, foram visitadas cinco propriedades, onde foram encontrados anticorpos anti-C. burnetii em 4,8% (7/145) dos caprinos e 1,5% (1/66) dos ovinos estudados. A presença de DNA foi observada em 0,7% (1/134) das amostras de leite caprino. Das amostras de soro de humanos susceptíves avaliados, 4,5% (3/66) foram sororreagentes para C. burnetii. A titulação variou entre 64 e 4.096 em animais, e entre 128 e 256 em humanos. Posteriormente, foi avaliada a propriedade que foi observada maior positividade para C. burnetii, e dos animais avaliados, foi encontrada a presença de DNA de C. burnetii em 18,9% (7/37) de amostras sanguíneas, em 7,7% (2/26) de amostras de leite e em 7,7% (2/26) de amostras de swab vaginal, todas de caprinos. As amostras positivas na PCR foram submetidas ao sequenciamento e análise filogenética, resultando na identificação da cepa de C. burnetii em swab vaginal com similaridade entre 97,4-99,1% de outras cepas encontradas no Brasil. Não foram encontrados fatores de risco relacionados a infecção por C. burnetii. Por fim, concluiu-se que a circulação da bactéria está presente na região, sendo sugestivo aos profissionais de saúde a inserção da febre Q como diagnóstico diferencial para um tratamento adequado, e, também, alertar os produtores de ruminantes domésticos sobre as medidas de prevenção nas propriedades rurais.


MEMBROS DA BANCA:
Externo à Instituição - MARCELO BAHIA LABRUNA
Interna - 384931 - JAQUELINE BIANQUE DE OLIVEIRA
Presidente - 195.204.298-40 - MAURICIO CLAUDIO HORTA - UNIVASF
Notícia cadastrada em: 26/04/2022 13:37
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