MONITORAMENTO DA BROCA-DO-OLHO DO COQUEIRO E EXPLORAÇÃO E ESTUDOS DE MÉTODOS DE CONTROLE
Pragas do coqueiro, atrai-e-mata, mosca parasitoide, nematoide do anel vermelho.
A broca-do-olho do coqueiro, Rhynchophorus palmarum L. (Coleoptera: Curculionidae) é uma importante praga de palmeiras cultivadas e ornamentais e tem se consolidado como uma praga de relevância internacional. O desenvolvimento das fases imaturas ocorre no interior da região apical das plantas, o que reduz significativamente a eficiência do controle químico por pulverizações. Larvas e adultos danificam tecidos meristemáticos, frequentemente levando à morte das plantas, além de os adultos atuarem como vetores do nematoide Bursaphelenchus cocophilus, agente causal da doença do anel vermelho. Em razão dessas características, o manejo da praga concentra-se na redução populacional de adultos. Este estudo avaliou a dinâmica populacional de adultos de R. palmarum em plantios de coqueiro na Zona da Mata de Pernambuco, testando a técnica de atrai-e-mata por meio de armadilhas iscadas com feromônio e contendo “dollops” de cipermetrina. Ao longo do período de 15 meses do estudo, a densidade populacional da broca manteve-se elevada, sem flutuações sazonais marcantes. Entretanto, áreas submetidas à técnica de atrai-e-mata apresentaram redução de 1,7 a 1,8 vezes na captura de adultos em comparação às áreas controle. A cipermetrina nos “dollops” manteve atividade inseticida por mais de 12 meses, período superior ao recomendado para reposição. A mortalidade histórica de coqueiros nas áreas de estudo, estimada desde a implantação, variou de 5,8 a 18,9 plantas por ano, reduzindo-se para 1,59 a 9,96 plantas durante o período do estudo. Paralelamente, foram caracterizados aspectos biológicos da mosca Billaea rhynchophorae (Blanchard) (Diptera: Tachinidae), o único parasitoide conhecido da broca. Em oito coletas de pupas de R. palmarum em plantios de dendê no sul da Bahia, o parasitismo variou de 7,4 a 42,8%. Em laboratório, o tempo de desenvolvimento, o tamanho de pupas, a taxa de emergência, a razão sexual e o dimorfismo sexual foram determinados. Pupas maiores demandaram maior tempo de desenvolvimento e originaram adultos maiores, enquanto as menores apresentaram maior viabilidade de emergência. Adultos preferiram alimentar-se de solução açucarada a 10% e pólen de abelhas. O dimorfismo sexual foi caracterizado com base em caracteres morfológicos. Os resultados demonstram que a técnica de atrai-e-mata pode contribuir para o manejo de R. palmarum por meio da redução populacional de adultos. Além disso, as informações biológicas geradas sobre B. rhynchophorae fornecem subsídios para futuros estudos visando sua aplicação em programas de controle biológico.