Quimiotaxia do parasitoide Diachasmimorpha longicaudata (Ashmead) (Hymenoptera: Braconidae) frente a voláteis de frutos exóticos e nativos, hospedeiros de moscas-das-frutas.
Controle biológico, olfatômetro, comportamento de forrageamento, tefritídeos.
As moscas-das-frutas (Diptera: Tephritidae) representam um dos principais entraves à fruticultura mundial, ocasionando perdas econômicas significativas, demandando estratégias de controle que se articulem entre si. Dentre as alternativas ao controle químico, destaca-se o controle biológico, com ênfase no uso de insetos parasitoides, nativos e exóticos. Diachasmimorpha longicaudata é uma espécie exótica amplamente utilizada em programas de controle biológico de tefritídeos no mundo. Entretanto, o baixo estabelecimento desse parasitoide constitui um desafio. Em regiões semiáridas do nordeste brasileiro, a presença do D. longicaudata não é correlacionada com frutos nativos, indicando mais um desafio para o estabelecimento do parasitoide nessas áreas. Portanto, o presente estudo teve como objetivo avaliar a atratividade de fêmeas de D. longicaudata aos voláteis emitidos por frutos nativos e exóticos que sejam hospedeiros de moscas-das-frutas, com o intuito de compreender aspectos do comportamento de forrageamento da espécie e seu potencial de manutenção em ambientes de semiárido. Para isso, as fêmeas do parasitoide foram submetidas a testes olfatométricos de dupla escolha, observandos os parâmetros de escolha, latência e permanência dessas fêmeas frente aos voláteis emitidos. Foram testados frutos exóticos (manga, mamão, uva e acerola) e nativos (goiaba, caju, juazeiro e cajarana) contrastados com ar puro. Os resultados demonstraram preferência significativa pelos voláteis de manga, mamão, goiaba e cajarana, evidenciando a plasticidade olfativa e o caráter generalista do parasitoide. Em especial, a resposta positiva à cajarana sugere que frutos nativos do semiárido podem atuar como repositórios naturais de D. longicaudata. Esses achados contribuem para o entendimento das interações tritróficas envolvidas e fornecem subsídios para o aprimoramento de programas de controle biológico de moscas-das-frutas em regiões semiáridas.