DESVENDANDO A REGULAÇÃO DO SISTEMA IMUNE DE Diatraea saccharalis EM RESPOSTA A DIFERENTES AGENTES DE CONTROLE BIOLÓGICO
Broca da Cana-de-Açúcar, regulação gênica, interação inseto-patógeno
Os insetos não possuem sistema imune adaptativo como os vertebrados, dependendo basicamente do sistema imune inato, composto por respostas humorais e celulares, para se defender de parasitas e patógenos. A resposta humoral é composta por várias vias de sinalização que resultam na produção de moléculas como os peptídeos antimicrobianos (AMPs) e a melanina, que atuarão contra o agente invasor. Apesar de muitos estudos descreverem os tipos de resposta e sinalização das vias do sistema imune de insetos a diferentes patógenos, grande parte deles é realizado com insetos modelos ou com patógenos que não são naturais. Neste trabalho investigou-se diferentes aspectos do sistema imune de Diatraea saccharalis (Lepidoptera: Crambidae), a maior praga da cana-de-açúcar no Brasil. No primeiro trabalho foram caracterizados os principais genes componentes das vias de sinalização de resposta humoral: Toll, IMD, Jak-STAT e a via Profenoloxidase (via da melanização). Após a caracterização, investigou-se a modulação de pelo menos um gene representante de cada via, com os insetos tratados com diferentes agentes de controle biológico, como a bactéria Bacillus thuringiensis (Bt), o fungo Metarhizium anisopliae, e o parasitoide Tetrastichus howardi. No segundo trabalho, foi dado enfoque a caracterização dos AMPs de D. saccharalis, com destaque para uma lebocina, um peptídeo rico em prolina, que tem sua expressão aumentada na cabeça de lagartas alimentadas com cana-de-açúcar ou quando ingerem esporos e cristais de Bt. No último trabalho, foi abordado se T. howardi induziria priming imunológico em adultos de D. saccharalis, com efeitos positivos na prole da praga. Ocorre priming imunológico quando uma experiência de contato ou infecção passada resulta em uma resposta imune mais efetiva em uma exposição secundária. Entretanto, a prole de D. saccharalis foi mais suscetível ao parasitoide devido a imunidade comprometida provocado pelo contato prévio. A partir destes resultados, novos aspectos do sistema imune de D. saccharalis foram desvendados, o que pode contribuir para o aperfeiçoamento do uso de agentes de controle biológico, bem como o desenvolvimento de novas tecnologias sustentáveis para o controle de pragas.