EFEITOS DE dsRNAs ESPECÍFICO E INESPECÍFICO NA INDUÇÃO POR VIA ORAL DE RNAi NA JOANINHA PREDADORA Eriopis connexa (COLEOPTERA: COCCINELLIDAE)
Joaninha, Coccinellidae, Organismos não-alvo, Exposição via dieta, dsRNA heterólogo, Silenciamento gênico, Biossegurança ambiental.
A agricultura moderna busca equilibrar a segurança alimentar e a sustentabilidade; no entanto, os métodos convencionais de controle de pragas são limitados pela resistência e pelos danos a organismos não-alvo. O Manejo Integrado de Pragas (MIP) incorpora ferramentas seletivas, como o controle biológico, que utiliza inimigos naturais para regular as populações de pragas. Todavia, esses agentes são frequentemente impactados negativamente por inseticidas químicos. Uma alternativa promissora para mitigar tais efeitos é a tecnologia de RNA interferente (RNAi). O RNAi é um mecanismo celular conservado que promove o silenciamento gênico de sequência específica através da degradação do RNA mensageiro. Na agricultura, pode ser aplicado via plantas geneticamente modificadas ou por aplicações tópicas. Por exemplo, o milho SmartStax® PRO expressa dsRNA direcionado ao gene Snf7 de Diabrotica virgifera virgifera. Este gene altamente conservado codifica uma proteína vital do complexo ESCRT-III, essencial para o tráfego celular. Embora a eficácia do RNAi seja baseada na identidade de sequência entre o dsRNA e o mRNA alvo, efeitos em inimigos naturais expostos a dsRNAs desenhados para uma praga específica não podem ser descartados e devem ser verificados. Predadores como a joaninha Eriopis connexa (Coleoptera: Coccinellidae) são excelentes modelos para esses estudos, particularmente porque muitos dsRNAs são desenhados para atingir pragas de coleópteros. Portanto, é crucial avaliar a biossegurança desta tecnologia para espécies benéficas. Este estudo teve como objetivo verificar a funcionalidade do RNAi via dieta em E. connexa e avaliar os efeitos adversos da exposição a dsRNAs desenhados para o bicudo-do-algodoeiro, Anthonomus grandis (Coleoptera: Curculionidae). Adicionalmente, proponho E. connexa como um modelo substituto (surrogate) para estudos de efeitos não-alvo adaptados às condições tropicais. Os protocolos estabelecidos e este modelo ecologicamente relevante apoiarão futuras avaliações de biossegurança, contribuindo para o desenvolvimento responsável de estratégias sustentáveis de controle de pragas.