SE CORRER O BICHO PEGA, SE FICAR O BICHO COME: O PAPEL DAS PISTAS QUÍMICAS DE RISCO NA SELEÇÃO DE RECURSOS EM Nasutitermes corniger (TERMITIDAE: NASUTITERMITINAE)
comunicação química, informação social, soldados, interação predador-presa.
Durante a aquisição de recursos no ambiente, os cupins precisam enfrentar riscos dinâmicos e ser estratégicos em suas decisões. Apesar de serem conhecidos por sua incrível coesão, consequência da sua comunicação química, pouco sabemos sobre como esses insetos respondem a sinais de risco durante a seleção de recursos. Além disso, pouco compreendemos sobre o papel dos soldados na mediação dessas decisões. Nessa tese, buscamos analisar se grupos de Nasutitermes corniger percebem e respondem a sinais químicos de risco durante a seleção de alimento. Para isso, conduzimos experimentos comportamentais, ofertando recursos alimentares com variações nas pistas químicas de risco e na composição da casta do grupo. Inicialmente testamos se sinais químicos isolados de predadores e competidores afetam decisões coletivas de forrageamento. Em seguida analisamos se a presença e proporção de soldados influenciam as decisões coletivas, por meio de sua sensibilidade ao risco e na capacidade de redirecionar o grupo diante de pistas químicas de predação. Os resultados apontam que cupins de N. corniger conseguem diferenciar o risco associado ao recurso, ajustando seu comportamento de forrageio de acordo com a origem do risco. Além disso, a presença de soldados e maior proporção de soldados permitiu que o grupo se arriscasse na exploração de recursos sob ameaça, evidenciando que os soldados contribuem ampliando as oportunidades de exploração de recursos. Os achados desse estudo contribuem para uma melhor compreensão de como os cupins usam as pistas químicas para amenizar os custos envolvidos durante a seleção de recursos, assim como evidencia a importância da casta de defesa nessa tomada de decisão.