Custo adaptativo da resistência de Liriomyza sativae a espinetoram
Custo adaptativo, parâmetros biológicos, reservas energéticas, melão.
Liriomyza sativae Blanchard (Diptera: Agromyzidae) é praga-chave da cultura do meloeiro, causando danos que variam entre 10% e 15% nos frutos destinados à exportação. O principal método de controle é o químico, mas características biológicas da mosca-minadora facilitam o desenvolvimento da resistência, consequentemente, diminuição da eficácia, como observado recentemente com o espinetoram. Esta resistência pode acarretar um custo adaptativo para o inseto. Este estudo comparou a biologia da população suscetível e resistente de L. sativae ao espinetoram nos hospedeiros Cucumis melo L. (Cucurbitaceae) e Canavalia ensiformis L. (Fabaceae) e avaliou a estabilidade da resistência. A população resistente foi mantida durante dez gerações ausente de pressão de seleção e realizamos curvas de concentração-mortalidade para determinação da CL50 e razão de resistência nas gerações F1, F2, F4, F6, F8 e F10. Os parâmetros biológicos foram estimados utilizando quinze casais de ambas as populações e individualizadas com suas respectivas plantas hospedeiras. Os resultados constataram resistência estável ao espinetoram. A mosca-minadora resistente teve desenvolvimento mais rápido e maior tamanho de ovos, independente do hospedeiro, mas apresentou redução na longevidade em condições de resistência em ambos os hospedeiros. Houve redução do R0 e Rm no hospedeiro C. ensiformis. A resistência afetou parcialmente o ciclo do inseto, indicando uma compensação. A descoberta sugere que o uso de C. ensiformis como área de refúgio ou rotação de cultura pode retardar a evolução da resistência.