QUALIDADE DA JOANINHA PREDADORA Eriopis connexa (GERMAR) (COLEOPTERA: COCCINELLIDAE), RESISTENTE A PIRETROIDES, APÓS 130 GERAÇÕES DE CRIAÇÃO EM LABORATÓRIO
Controle biológico, controle de qualidade de inimigos naturais, resistência a inseticidas, criação massal
O controle biológico aumentativo requer a criação de inimigos naturais para a liberação. Contudo, sucessivas gerações de criação em laboratório podem acarretar perda de qualidade do inimigo natural. Ainda, insetos resistentes a inseticidas podem apresentar redução de desempenho devido à resistência. A joaninha predadora, Eriopis connexa (Germar), apresenta resistência do tipo metabólica à l-cialotrina. Esta população está com mais de 130 gerações em laboratório, com razão de resistência à l-cialotrina superior a 260 vezes. Assim, este trabalho determinou aspectos biológicos e comportamentais de E. connexa, população resistente (EcViR), em comparação a população recém-coletada e suscetível à l-cialotrina (EcCV). Fêmeas de ambas as populações submetidas ou não à escassez de presa do 5o ao 20o dia de vida, foi observado similar sobrevivência entre populações durante 35 dias de observações, com maior fecundidade para fêmeas EcViR. A taxa de predação do pulgão Lipaphis pseudobrassicae Davis na ausência ou presença do resíduo de l-cialotrina resultou em resposta funcional do tipo II para ambas as populações. Entretanto, joaninhas EcViR exibiram maior taxa de consumo de pulgões tanto na ausência como na presença de l-cialotrina. Quando larvas neonatas de ambas as populações foram criadas em três diferentes temperaturas (18, 25 e 32 oC), a duração de desenvolvimento foi similar entre populações. Por outro lado, fêmeas da população EcCV foram maiores à 18 e 25oC e produziram maior número de ovos à 25 e 32°C. Os resultados mostram que a população EcViR mantém o comportamento de predação e desempenho quando submetida a escassez mantidos após longo período de criação, em laboratório. A fecundidade foi menor quando as fêmeas foram criadas desde larva e mantidas a 25 e 32 oC. Desse modo, os resultados corroboram a hipótese de que o comportamento de predação não é afetado na população resistente e criada em laboratório, enquanto a fecundidade é afetada na população resistente devido ao custo adaptativo a resistência, tornando mais evidente em função de diferentes temperaturas.