TRATAMENTO DE SEMENTES DE ALGODÃO: PROTEÇÃO CONTRA PRAGAS SUGADORAS INICIAIS E CONSERVAÇÃO DE INSETOS PREDADORES
Inseticidas sistêmicos, neonicotinoides, diamidas, seletividade ecológica, zoofitofagia.
O tratamento de sementes com inseticidas, usualmente não seletivos, é uma prática recomendada visando a proteção e/ou redução do ataque de pragas iniciais na cultura. Esta prática é considerada seletiva, em teoria, por disponibilizar o inseticida nos tecidos das plantas, o qual pode ser adquirido pelas pragas e não pelos inimigos naturais. Contudo, insetos não alvos como predadores e parasitoides zoofitófagos e polinizadores podem se contaminar ao utilizarem dos subprodutos como néctar, pólen e seiva das plantas, sendo importante a utilização de inseticidas seletivos. O objetivo com este trabalho foi testar o ciantraniliprole (uma diamida considerada seletiva) comparado ao tiametoxam (um neonicotinoide não seletivo), quanto ao controle de pragas iniciais do algodoeiro e a seletividade, empregando os inseticidas em tratamento de sementes (TS) e pulverização (PV). O resíduo dos inseticidas na planta foi quantificado aos 12, 22 e 32 dias após a emergência (DAE), para aferir sobre a sobrevivência dos predadores Orius insidiosus (Say) (zoofitófago) e Eriopis connexa (Germar) (mastigador), confinados sobre material vegetal de plantas tratadas com esses inseticidas. Ambos os inseticidas tiveram resíduos detectados nas plantas, mas reduzindo significativamente entre 12 DAE e 22 DAE, com ambos não sendo detectados aos 32 DAE. Os inseticidas ofereceram supressão do pulgão, mas com efeito mais prolongado do tiametoxam e, ambos, não foram eficazes contra alta infestação de tripes. A densidade de mosca-branca foi variável entre os experimentos, com nível de controle observado em todos os tratamentos após o período esperado de proteção das plantas com TS. As maiores densidades de predadores foram observadas na testemunha, enquanto as menores densidades foram observadas nos tratamentos tiametoxam TS e PV. O ciantraniliprole TS e PV foi compatível com ambos os predadores (>92% de sobrevivência). O tiametoxam não foi tóxico para E. connexa, mas altamente tóxico para O. insidiosus via resíduo da PV comparado ao TS (1,2% vs 27,6% de sobrevivência). Aos 22 DAE, O. insidiosus ainda apresentou menor sobrevivência com tiametoxam PV que TS (51,4% vs 89,3%). Independente dos inseticidas utilizados e modalidade de uso, não houve diferença estatística na produtividade, entre os tratamentos.