SUSCEPTIBILIDADE DE Phthorimaea absoluta (MEYRICK) (LEPIDOPTERA: GELECHIIDAE) A INSETICIDAS NOVOS E ESTABELECIDOS NO BRASIL: LEVANTAMENTO DE RESISTÊNCIA, LINHA DE BASE E IMPLICAÇÕES PARA O MANEJO.
KEY-WORDS: Tuta absoluta, insecticide resistance, isocycloseram, tolfenpyrad, diagnostic concentration, synergism, IRM.
RESUMO
CONTEXTO: Phthorimaea (= Tuta) absoluta (Meyrick) (Lepidoptera: Gelechiidae) é uma das principais pragas do tomateiro em todo o mundo, e seu manejo vem sendo cada vez mais ameaçado pela rápida evolução da resistência. A recente introdução de isocicloseram e tolfenpirade — dois inseticidas com novos modos de ação — oferece novas opções de controle, mas sua sustentabilidade depende do estabelecimento de linhas de base de suscetibilidade e da detecção precoce da resistência.
RESULTADOS: Bioensaios com 17 populações brasileiras revelaram alta suscetibilidade ao isocicloseram (LC₅₀ = 0,00047–0,0143 mg L⁻¹) e variabilidade moderada ao tolfenpirade (LC₅₀ = 0,48–6,86 mg L⁻¹), com razões de resistência de até 30 e 14 vezes, respectivamente. Concentrações diagnósticas de 10 mg L⁻¹ (tolfenpirade) e 1 mg L⁻¹ (isocicloseram) foram derivadas dos valores de LC₉₉ obtidos a partir do conjunto de curvas. O monitoramento (2023–2024) mostrou baixas frequências de resistência para isocicloseram (f < 1%), mas mudanças iniciais para tolfenpirade (f > 1%), enquanto abamectina, fipronil e indoxacarbe apresentaram resistência disseminada (f ≥ 1%). Ensaios de sinergismo implicaram esterases, GSTs e citocromo P450 na detoxificação, especialmente para abamectina e parcialmente para isocicloseram. Correlações significativas entre isocicloseram e tolfenpirade (rₚ = 0,732) e entre fipronil e indoxacarbe (rₚ = 0,807) sugerem vias metabólicas compartilhadas ou padrões de suscetibilidade coincidentes.
CONCLUSÃO: As populações de P. absoluta permanecem suscetíveis ao isocicloseram e ao tolfenpirade, mas mudanças iniciais de tolerância — particularmente para tolfenpirade — sinalizam respostas adaptativas emergentes que merecem monitoramento atento. As concentrações diagnósticas estabelecidas detectaram de forma eficaz essas alterações iniciais e oferecem uma ferramenta prática para vigilância rotineira. As associações enzimáticas observadas destacam o papel central da detoxificação metabólica na determinação da suscetibilidade e no potencial de resistência cruzada. No geral, essas novas moléculas continuam sendo opções úteis para o controle de P. absoluta, mas sua eficácia a longo prazo depende da identificação precoce de mudanças na suscetibilidade e da incorporação de insights metabólicos nas estratégias de manejo da resistência.