Monitoramento de Resistência de Phthorimaea absoluta ao espinetoram, sua caracterização e implicações para o manejo da resistência
Monitoramento, Phthorimaea absoluta; espinetoram; resistência a inseticidas; herança autossômica; manejo de resistência.
Fundamentação: Phthorimaea absoluta (Meyrick, 1917) (Lepidoptera: Gelechiidae) é considerada uma das principais pragas da cultura do tomateiro, destacando-se por sua elevada capacidade de desenvolver resistência a inseticidas. As espinosinas, especialmente o espinetoram, têm sido amplamente empregadas no manejo dessa espécie devido à sua alta eficácia e seletividade. Nesse contexto, o presente estudo teve como objetivo selecionar uma população de P. absoluta proveniente de campo com resistência ao espinetoram, visando caracterizar os fundamentos genéticos e bioquímicos envolvidos, bem como identificar possíveis padrões de resistência cruzada associados.
Resultados: Verificou-se um elevado nível de resistência (1144,68 vezes) na população Paty-Sel e com cruzamentos recíprocos F₁ e F₁′ indicando herança autossômica. Os graus de dominância (D), variando de –0,43 a – 0,57, caracterizaram a resistência como incompletamente recessiva e o teste direto de herança apontou o envolvimento de um único gene. As razões de sinergismo para LIN-Sus foram de 1,98; 1,25 e 1,7 vezes, enquanto para PTY-Sel atingiram 7,59; 8,78 e 4,9 vezes após exposição aos sinergistas PBO, DEM e DEF, respectivamente. Foram observadas razões de resistência de 682,70; 2,59 e 2,58 vezes para espinosade, indoxacarbe e tolfenpirade, bem como resistência cruzada negativa para ciclaniliprole (0,51) e isocicloseram (0,50). A menor concentração capaz de causar mortalidade total dos heterozigotos foi de 15 mg/L de espinetoram, tornando a resistência funcionalmente recessiva. Conclusão: Conclui-se que a seleção contínua de P. absoluta ao espinetoram promove rápida evolução da resistência, apresentando uma herança autossômica, monogênica e dominância incompleta. Os bioensaios indicam contribuição limitada de mecanismos metabólicos, sugerindo alterações no sítio-alvo como principal mecanismo de resistência. A elevada resistência cruzada ao espinosade reforça essa interpretação, enquanto a resistência cruzada negativa ao ciclaniliprole e isocicloseram indica alternativas promissoras para o manejo sustentável sob alta pressão química.