TOXICIDADE DE ÓLEOS ESSENCIAIS DE PLANTAS DE Croton L. SOBRE o predador Euborellia annulipes (Lucas, 1847) (DERMAPTERA: ANISOLABIDIDAE), e sobre a praga Plutella xylostella (Linnaeus, 1767) (Lepidoptera: pluellidae)
Inimigo natural; seletividade; mortalidade; oviposição; predação; repelência.
Alternativas sustentáveis como a combinação entre inseticidas botânicos e o controle biológico representa uma estratégia promissora para reduzir o uso de inseticidas sintéticos. Plantas do gênero Croton, comuns em biomas como a Caatinga, destacam-se como fontes de óleos essenciais com propriedades inseticidas. Além disso, o uso de predadores generalistas, como Euborellia annulipes, tem se mostrado eficaz no controle de diversas pragas. Este estudo avaliou a toxicidade dos óleos essenciais de Croton blanchetianus Baill e Croton heliotropiifolius Kunth sobre E. annulipes: seus efeitos na reprodução, preferência alimentar e repelência desse predador, e sua letalidade frente à praga Plutella xylostella. Foram conduzidos bioensaios em laboratório com ninfas de quinto ínstar de E. annulipes expostas a concentrações dos óleos de Croton e controle negativo Lambda-cialotrina. Avaliou-se mortalidade, tempo de oviposição, fecundidade, viabilidade de ovos e ninfas, e repelência de substrato contaminado . Para os testes de predação, foram oferecidas lagartas de terceiro ínstar de P. xylostella contaminadas e não contaminadas, permitindo escolha pelo predador. Os óleos demonstraram que os óleos de Croton apresentaram o mesmo nível de toxicidade a P. xylostella e baixa toxicidade para E. annulipes. Apesar de C. blanchetianos causar redução do número de ovos postos por E. annulipes, esse fato não comprometeu a viabilidade dos ovos e das ninfas. Os óleos de Croton não comprometeu de forma consistente o consumo de P. xylostella por E. annulipes. No entanto, a presença dos óleos em substratos tratados causou forte ação repelente sobre E. annulipes, o que pode reduzir sua permanência em áreas tratadas. Dessa forma, os óleos de C. blanchetianus e C. heliotropiifolius demonstram potencial para uso no manejo integrado de pragas por não causar prejuízos significativos em sua reprodução e consumo de presas, mas sua aplicação precisa considerar a repelência causada sobre inimigos naturais.