MONITORAMENTO E CARACTERIZAÇÃO DA RESISTÊNCIA DE Liriomyza sativae BLANCHARD (DIPTERA: AGROMYZIDAE) a INSETICIDAS
larva minadora, suscetibilidade, herdabilidade, herança, resistência cruzada, metabolismo
Diversos fatores contribuem para a evolução da resistência de um inseto-praga a determinado inseticida, pois a pressão de seleção devido ao uso indiscriminado de defensivos agrícolas, integrado com o tipo de sistema de cultivo tem norteado este fenômeno e gerado um aumento na frequência de populações resistentes, causando falhas de eficácia desses produtos no campo. Liriomyza sativae, conhecida como mosca minadora, praga-chave de diversas culturas, tem causado severos danos e prejuízos aos produtores. O método mais utilizado para o seu manejo é o controle químico. Devido as suas características biológicas e a ampla gama de inseticidas utilizados para minimizar altas infestações deste díptero, relatos de falhas de controle estão ocorrendo. Inseticidas de diferentes modos de ação como o ciromazina, ciantraniliprole e espinetoram possuem registrado para L. sativae e são aplicados de forma exacerbada. Informações sobre a suscetibilidade e as bases da resistência de L. sativae ainda são escassas e estas auxiliariam para melhor manejar esse inseto-praga. Assim, este trabalho tem como objetivo o monitoramento e caracterização da resistência de L. sativae com os principais inseticidas utilizados no campo para o seu controle, utilizando a metodologia proposta por Santos et al. (2020). Populações de diferentes regiões do Brasil foram coletadas para este estudo. As moléculas utilizadas no monitoramento se apresentaram moderadamente efetivas em relação as concentrações diagnósticas e recomendadas de bula de cada inseticida, indicando evolução de resistência, por permitir sobrevivência de indivíduos, com mortalidades variando de 3,16% a pouco mais de 90%. As populações de Arapiraca e Inhuçu apresentaram os primeiros casos de resistência de campo ao espinetoram. Os valores das CL50 e razão de resistência (RR50) para ciromazina, ciantraniliprole e espinetoram variaram de 5,53 – 86,61 mg i. a./L (RR50 de 1,17 a 15,67 vezes), 0,12 – 0,91 mg i. a./L (RR50 de 2,22 a 7,45 vezes) e 0,03 – 44,16 mg i. a./L (RR50 de 3,47 a 1652,17 vezes), respectivamente. A seleção com espinetoram foi mantida em 180 mg i. a./L, apresentando uma CL50 de 88,25 mg i. a./L e uma RR50 de 4.219,80 vezes. A resistência genética de L. sativae ao espinetoram foi autossômica, incompletamente recessiva e monofatorial. A dose/concentração discriminatória que torna a resistência à espinetoram recessiva foi de 60 mg i. a./L e pode ser usada no monitoramento. Devido esta magnitude da resistência, verificou resistência cruzada com espinosade e resistência cruzada negativa com Indoxacarbe, tiametoxan e cartape. Estes resultados contribuem para o manejo da resistência de L. sativae a inseticidas.