Amortecimento social frente a inseticida: mecanismos comportamentais e enzimáticos de tolerância em uma espécie de cupim nasuto
controle de cupins, comportamento social, enzimas detoxificativas, Nasutitermes corniger, imidacloprido
As estratégias de controle de cupins baseadas em inseticidas não repelentes e de ação lenta dependem do princípio da transferência horizontal do composto no interior das colônias. No entanto, na prática, as colônias frequentemente persistem mesmo sob exposição prolongada, indicando a existência de mecanismos biológicos que amortecem os efeitos do estresse químico. Esta tese investigou como a organização social e os processos fisiológicos específicos de cada casta interagem para modular a tolerância a inseticidas no cupim neotropical Nasutitermes corniger. Por meio de uma série de bioensaios laboratoriais, avaliamos: (i) como a identidade de casta influencia as interações comportamentais com indivíduos intoxicados, (ii) se soldados mediam respostas comportamentais em nível de grupo capazes de mitigar o estresse causado por neonicotinoides e (iii) como a capacidade de detoxificação é distribuída entre castas por meio da atividade de esterases. Em geral, os resultados demonstram que o contato com indivíduos intoxicados desencadeia ajustes comportamentais dependentes da casta, sendo os soldados responsáveis por induzir cascatas comportamentais que reduzem a exposição dos grupos sob estresse por imidacloprido. Por outro lado, os operários foram identificados como os principais responsáveis pela detoxificação fisiológica, apresentando maior atividade de esterases independentemente da presença de soldados. De forma geral, nossos resultados indicam uma divisão funcional do trabalho na qual os soldados atuam como reguladores comportamentais do estresse social, enquanto os operários assumem o custo metabólico da detoxificação. Ao integrar ecologia comportamental e mecanismos enzimáticos, esta tese amplia o conceito de amortecimento social frente a inseticidas e oferece um novo arcabouço para compreender a tolerância de colônias e as limitações das estratégias convencionais de controle de cupins.