ANÁLISE DA ESCOLHA DO LIVRO DIDÁTICO NA PERSPECTIVA DE PROFESSORES DE BIOLOGIA
Formação continuada dos professores de Biologia; Oficina didática; Perspectivas de professores de biologia; Critérios de escolha do livro de Biologia.
O Livro Didático é introduzido na sala de aula da rede pública de todo o Brasil, a partir do Programa Nacional do Livro Didático e do Material Didático (PNLD) pela escolha dos professores. O objetivo geral da nossa pesquisa é analisar os conhecimentos, orientações de ensino, aspectos físicos e representacionais do livro didático de Ciências da Natureza que são percebidos e comunicados pelos professores quando se encarregam da escolha deste recurso. Como pergunta norteadora para o desenvolvimento do nosso trabalho: Como os professores de Biologia escolhem o livro didático e quais os critérios que fundamentam a sua escolha? Para isso optamos por uma pesquisa qualitativa, do tipo pesquisa-intervenção, com elementos de estudos descritivos, de observação participante, coleta de documentos, oficina didática interdisciplinar (ODI), apresentando como instrumentos de pesquisas coleta de documentos, grupo focal, videogravação da oficina didática, diário de campo, tendo a interpretação de dados realizada pela análise Hermenêutica dialética (AHD). As perspectivas epistemológicas desenvolvidas neste trabalho refletem na abordagem metodológica adotada, destacando-se pela capacidade de descrever e analisar o nosso objeto de estudo, resultando em descobertas significativas de como os professores analisam o problema pesquisado. A pesquisa revelou reflexões importantes sobre o papel do professor da educação básica na escolha e utilização do livro didático, destacando a ODI como uma poderosa estratégia para promover a reflexão crítica e colaborativa. Nesse processo, os professores identificaram critérios essenciais para a seleção: a clareza textual, a relevância cultural e científica, a acessibilidade, a organização visual e o alinhamento com os objetivos curriculares e as necessidades dos alunos. Apesar de sua importância, o livro didático ainda é subvalorizado nos debates sobre qualidade e equidade na educação. Além disso, foi apontada a necessidade de maior representação das realidades locais, bem como de atividades práticas interdisciplinares para tornar o ensino mais contextualizado e significativo. A experiência das ODI na formação continuada mostrou-se um espaço fértil para o fortalecimento da autonomia docente, promovendo reflexões sobre práticas pedagógicas e os critérios para a escolha de materiais didáticos. Esse processo beneficia tanto professores quanto estudantes, ao garantir acesso a materiais mais adequados às realidades e necessidades locais. Um caminho relevante para a pesquisa seria a expansão da ODI para outras áreas do conhecimento, como química e física, avaliando se os critérios identificados pelos professores de Biologia são consistentes ou se há variações significativas entre as áreas de ensino. Essas formações poderiam ser adaptadas às diferentes áreas de conhecimento e níveis de ensino, garantindo que os professores tenham acesso a informações detalhadas e contextualizadas com base nos materiais disponíveis, considerando aspectos técnicos, pedagógicos e sociais do uso do livro didático. A educação é, acima de tudo, um ato político. A escolha do livro didático reflete as visões de mundo, os valores e os objetivos que desejamos transmitir às próximas gerações. Por isso, é fundamental que essa escolha seja feita de maneira consciente, dialogada e fundamentada, considerando tanto as necessidades dos alunos quanto as demandas da sociedade contemporânea.