O ENSINO DE CIÊNCIAS NO CHÃO DA ESCOLA PRISIONAL: ANÁLISE DE EXPERIÊNCIA SITUADA EM UMA UNIDADE ESCOLAR DE RECIFE-PERNAMBUCO
educação científica; alfabetização científica; sequência didática; Educação de Jovens e Adultos; prisão.
A presente pesquisa surge a partir de inquietações pessoais da autora em relação à sua prática pedagógica no ensino de ciências de uma escola prisional, as quais têm por panorama outras problemáticas de caráter geral, tais como a evasão escolar, sintomas psicológicos decorrentes do confinamento, bem como escassez do básico para o desenvolvimento humano. Em tese, a escola e o ensino de ciências no espaço da prisão tem o potencial de contribuir com a melhoria da vida dos reeducandos por meio de uma aprendizagem participativa e da convivência baseada nos valores e desenvolvimento do outro, numa perspectiva de ressocialização. Sabe-se que, de modo geral, osreenducandos da Educação de Jovens e Adultos (EJA) em uma unidade prisional são aqueles que não tiveram acesso aos estudos na idade apropriada ou não deram continuidade a eles na idade correspondente à série. Além disso, muitos estudos demonstram que as prisões têm sido historicamente espaço de violência e reproduzido o racismo presente na sociedade. Nesse sentido, é preciso que se reflita, desde o contexto da prática, pelo sentido e significado do ensino e da aprendizagem escolar nesses contextos, notadamente no espaço do ensino de ciências. Como educar em um contexto que exige a submissão e a adaptabilidade como sinônimos de bom comportamento? Que aprendizagem em ciências são construídas em uma sala de aula dentro de uma prisão? Que dificuldades e potencialidades podem ser observadas em aulas de ciências em uma escola prisional? Essas questões iniciais servem com ponto de partida de uma pesquisa qualitativa com intervenção em uma unidade prisional do Recife/PE. A partir da aplicação de uma sequência didática temática baseada na alfabetização científica, busca-se descrever e analisar a experiência vivenciada pelos estudantes, a partir de uma abordagem fenomenológica do fenômeno situado. Os participantes da pesquisa serão reeducandos do EJA e a constituição dos dados será realizada antes, durante e depois da intervenção pedagógica por meio de procedimentos de pesquisa tais como: observação, caderno de campo, documentos e entrevistas. A análise será desenvolvida a partir da interpretação conjunta dos dados constituídos à luz da abordagem do fenômeno situado.