Adição de zeólitas naturais com e sem redução proteica em dietas de frangos de corte
clinoptilolita, frangos de corte, desempenho, digestibilidade, proteína bruta, qualidade da cama, microbiota
O uso de aditivos naturais na alimentação de frangos de corte tem sido estudado como estratégia para melhorar o desempenho zootécnico, a digestibilidade dos nutrientes, a saúde intestinal e a qualidade ambiental do sistema de criação. Dentre esses aditivos, destaca-se a zeólita natural do tipo clinoptilolita, mineral com propriedades adsorventes capaz de influenciar a fisiologia digestiva e o ambiente intestinal, modular o metabolismo, reduzir a emissão de gases nas excretas e atuar sobre a qualidade da cama. No entanto, os resultados quanto à sua eficácia ainda são inconclusivos e pouco se sabe sobre a interação entre diferentes níveis de inclusão e o teor proteico das dietas. Neste contexto, esta tese teve como objetivo avaliar o efeito da inclusão de zeólita natural (0; 1,0; 2,0 e 3,0%) em dietas com dois níveis de proteína bruta (nível adequado e com 3% de redução) sobre o desempenho, digestibilidade dos nutrientes, parâmetros sanguíneos, indicadores imunológicos, qualidade da cama, rendimento de carcaça e órgãos, e microbiota cecal de frangos de corte. Foram realizados dois experimentos com frangos machos da linhagem Ross de 1 a 42 dias de idade, em delineamento inteiramente casualizado, com arranjo fatorial 4×2 (nível de zeólita × nível proteico), seis repetições e 14 aves por unidade experimental. No primeiro experimento, avaliou-se o desempenho zootécnico, o rendimento de carcaça e órgãos, e a qualidade da cama (concentração de amônia e avaliação microbiológica). No segundo experimento, foram determinados os coeficientes de metabolizabilidade, parâmetros bioquímicos séricos, indicadores imunológicos e composição da microbiota cecal. Os dados foram submetidos à análise de variância, regressão polinomial e teste de Dunnett a 5% de significância. A inclusão de até 1% de zeólita foi eficiente na redução da concentração de amônia na cama, independentemente do nível proteico, sem comprometer o desempenho ou rendimento de carcaça. Níveis superiores prejudicaram o ganho de peso e a conversão alimentar, principalmente em dietas com proteína reduzida. Os melhores coeficientes de digestibilidade da matéria seca, proteína bruta e energia metabolizável foram observados com 2% de zeólita em dietas com proteína adequada. A zeólita reduziu a relação heterófilo/linfócito e aumentou o peso relativo do baço, indicando menor estresse fisiológico. Também contribuiu para a redução do colesterol total e do LDL, aumento do HDL e maior resistência óssea em aves alimentadas desde o início com dietas contendo zeólita. A população de Escherichia coli não foi influenciada pela adição do mineral. Conclui-se que a zeólita natural apresenta potencial funcional em dietas de frangos de corte, promovendo benefícios sobre a digestibilidade, desempenho, qualidade da cama e parâmetros fisiológicos, especialmente quando usada em níveis moderados e associada a dietas nutricionalmente equilibradas.