Banca de DEFESA: DANIEL BEZERRA DO NASCIMENTO

Uma banca de DEFESA de DOUTORADO foi cadastrada pelo programa.
DISCENTE : DANIEL BEZERRA DO NASCIMENTO
DATA : 13/05/2025
HORA: 08:30
LOCAL: Sala de seminarios
TÍTULO:

CULTIVO DA PALMA FORRAGEIRA EM CONSÓRCIO COM LEGUMINOSAS: CARACTERÍSTICAS MORFOLÓGICAS, QUALITATIVAS E PRODUTIVAS


PALAVRAS-CHAVES:

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Clitoria ternatea, Consórcio, Desmanthus pernambucanus, Palma cv. Miúda, e Orelha de Elefante Mexicana.


PÁGINAS: 1
RESUMO:

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A integração de leguminosas em consórcio com palma forrageira pode favorecer o fornecimento de nitrogênio ao solo, melhorar a qualidade da dieta dos animais e reduzir a emissão de metano. No entanto, a escolha do tipo de consórcio pode impactar na morfologia, produção e valor nutritivo das culturas envolvidas. Diante disso, este estudo parte da hipótese de que o consórcio de palma forrageira com leguminosas de porte arbustivo e herbáceo não compromete essas características. Com isso, objetivou-se avaliar os aspectos morfológicos, produtivos e nutricionais de diferentes espécies de palma forrageira, Miúda (O. cochenillifera (L.) Mill e Orelha de Elefante Mexicana (Opuntia stricta (Haw.) Haw), consorciadas com Cunhã (Clitoria ternatea (L.) ou Jureminha (Desmanthus pernambucanus (L.) Thellung), além do monocultivo. Utilizou-se delineamento em blocos ao acaso, com tratamentos constituídos por oito sistemas de cultivo: Opuntia cochenillifera + Desmanthus pernambucanus; Opuntia cochenillifera + Clitoria ternatea; Opuntia stricta + Desmanthus pernambucanus; Opuntia stricta + Clitoria ternatea; Opuntia cochenillifera; Opuntia stricta, Clitoria ternatea e Desmanthus pernambucanus. A pesquisa foi realizada na Fazenda Experimental Prof. Antônio de Pádua Maranhão Fernandes, da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE), em Garanhuns-PE. A colheita da palma foi realizada anualmente, nos anos de 2022 e 2023, com a preservação do cladódio mãe. As leguminosas foram colhidas a cada 90 dias, com intensidade de 20 cm de altura do solo. Os dados referentes à morfologia, produção e valor nutricional da palma forrageira foram obtidos a partir do material colhido ao final de cada ciclo anual de crescimento. Já para as leguminosas, as análises foram realizadas em duas épocas distintas de cada ano, chuva e seca. De maneira geral, o cultivo consorciado não alterou a morfologia das leguminosas e proporcionou pequenas alterações nas espécies de palma forrageira, em que no segundo ano de avaliação, observou-se que a palma no sistema de O. stricta + C. ternatea resultou em cladódios primários mais desenvolvidos, com valores médios de 28,1; 20,7 e 69,4 cm para o comprimento, largura e espessura, respectivamente, em relação à O. stricta em monocultivo. Da mesma forma, a O. stricta consorciada com D. pernambucanus apresentou maiores comprimentos (27,8 cm) e larguras (19,9 cm) dos cladódios primários nesse mesmo ano. Além disso, o cultivo em consórcio não influenciou a produção de matéria seca (PMS) anual da O. stricta durante os anos de avaliação. Entretanto, a O. cochenillifera, em monocultivo, obteve maior PMS anual, com 2.933 kg.ha-1, em relação a palma cultivada com C. ternatea + O. cochenillifera (1.394 kg.ha-1) e D. pernambucanus + O. cochenillifera (1.175 kg.ha-1), no segundo ano. Com relação a PMS anual das leguminosas, a C. ternatea e D. Pernambucanus apresentaram maiores valores em monocultivo, nos dois anos de avaliação, em comparação aos consórcios. Na PMS dos sistemas (Produção da palma + produção das leguminosas, quando consorciadas), a C. ternatea em monocultivo não diferiu dos consórcios com as espécies de palma forrageira em ambos os anos. Já D. pernambucanus apresentou comportamento distinto no segundo ano, com o consórcio D. pernambucanus + O. cochenillifera (4.490 kg.ha⁻¹) superando a produção da leguminosa em monocultivo (2.058 kg.ha⁻¹). Durante os dois anos de avaliação, a taxa de sobrevivência das leguminosas não foi afetada entre os sistemas de cultivo. Todavia, a C. ternatea obteve menor taxa de sobrevivência no segundo ano, com decréscimos de 16,8%, 23,4% e 14,1%, no monocultivo e nos consórcios com O. cochenillifera e O. stricta, respectivamente. Ao passo que a D. pernambucanus não teve diferenças na taxa de sobrevivência durante os dois anos de avaliação. O consórcio proporcionou pequenas alterações no valor nutricional da palma, em que no segundo ano de avaliação, O. cochenillifera consorciada com D. pernambucanus apresentou menor teor médio de carboidratos totais, com 466,35 g.kg⁻¹ de MS, enquanto no monocultivo o valor foi de 622,90 g.kg⁻¹ de MS. Além disso, nesse mesmo ano, observou-se maior produção de gás total (289,3 g.kg-1MS) na O. stricta em monocultivo, em relação aos seus consórcios, porém, O. stricta nos consórcios, C. ternatea + O. stricta (779,7 g.kg-1MS) e D. pernambucanus + O. stricta (816,1 g.kg-1MS), apresentaram maiores coeficientes de digestibilidade in vitro da matéria seca, tendo no monocultivo, valor de 712,3 g.kg-1MS. As leguminosas apresentaram maior variação no valor nutricional em comparação às palmas. Na época chuvosa, a D. pernambucanus consorciada com O. stricta apresentou valores médios mais elevados de matéria mineral (44,9 g.kg⁻¹ MS) e menores de hemicelulose (113,1 g.kg⁻¹ MS) em relação a planta cultivada em monocultivo. Além disso, a D. pernambucanus apresentou teores médios mais elevados das frações A+B1 (carboidratos de rápida degradação) quando consorciada com Opuntia cochenillifera (264,6 g kg⁻¹ de MS), e da fração B2 (fibra potencialmente degradável) no consórcio com O. stricta (261,6 g kg⁻¹ de MS), em comparação ao monocultivo. Porém, na época seca, a C. ternatea consorciada com O. cochenillifera (176,3 g.kg⁻¹ MS) apresentou teor médio de proteína bruta superior ao monocultivo (141,7 g.kg⁻¹ MS). No segundo ano, a leguminosa no consórcio C. ternatea + O. cochenillifera apresentou teor médio de proteína bruta de 175,8 g.kg⁻¹ MS superior e fração A+B1 de 166,7 g.kg⁻¹ MS inferior ao observado na C. ternatea em monocultivo. Não foram observadas diferenças na composição mineral entre as duas espécies de palma em monocultivo e seus respectivos consórcios. Contudo, entre os anos de avaliação, verificou-se um aumento nos níveis médios de boro (41,0 mg.kg⁻¹ MS), além de reduções nos teores médios de ferro, manganês e sódio (60,0; 90,0 e 38,0 mg.kg⁻¹ MS, respectivamente), independentemente do sistema de cultivo. Em relação às leguminosas, na época chuvosa, a C. ternatea em monocultivo apresentou teores médios de fósforo de 2,1 g.kg⁻¹ MS, concentração superior aos consórcios com as palmas (1,7 g.kg⁻¹ MS). Nessa mesma época, o zinco foi mais alto na D. pernambucanus no consórcio D. pernambucanus + O. stricta (29,5 mg.kg⁻¹ MS) que a planta em monocultivo (18,8 mg.kg⁻¹ MS). Na época seca, a leguminosa no consórcio D. pernambucanus + O. stricta teve teores médios de enxofre (1,8 g.kg⁻¹ MS) superiores ao monocultivo (1,2 g.kg⁻¹ MS). Entre os anos, o consórcio com palma forrageira promoveu pequenas alterações na composição mineral das leguminosas, com teor médio de enxofre no primeiro ano maior na D. pernambucanus consorciada com O. stricta (2,33 g.kg⁻¹ MS), em comparação a planta em monocultivo (1,56 g.kg⁻¹ MS). No segundo ano, o fósforo também apresentou concentração superior na C. ternatea em monocultivo, com média de 2,7 g.kg⁻¹ MS, enquanto os consórcios com ambas as palmas alcançaram teores de 2,1 g.kg⁻¹ MS. Em relação ao boro, a C. ternatea cultivada em monocultivo no segundo ano apresentou o maior teor (38,4 mg kg⁻¹ de MS), enquanto no consórcio com O. cochenillifera esse valor foi menor, com cerca de 26,5 mg.kg⁻¹ de MS. Conclui-se que o consórcio de Clitoria ternatea e Desmanthus pernambucanus influenciou positivamente as características morfológicas da palma e proporcionou pequenas alterações no valor nutricional da Opuntia stricta. Embora não tenha alterado o valor nutricional de Opuntia cochenillifera, o consórcio reduziu a produção de matéria seca (PMS) dessa espécie no segundo ano. Esses sistemas também não causaram grandes mudanças nas características morfológicas ou no valor nutricional das leguminosas. No entanto, a PMS anual das leguminosas em monocultivo foi superior à dos consórcios nos dois anos de avaliação. Em relação à taxa de sobrevivência, esta foi afetada, com Clitoria ternatea apresentando maior mortalidade no segundo ano. Apesar disso, a PMS do sistema consorciado (palma + leguminosa) foi superior à dos monocultivos, destacando a vantagem dos consórcios para aumentar a produção de forragem.


MEMBROS DA BANCA:
Presidente - MERCIA VIRGINIA FERREIRA DOS SANTOS
Interno - VALDSON JOSE DA SILVA
Externo à Instituição - IGOR LIMA BRETAS
Externo à Instituição - JOSÉ NEUMAM MIRANDA NEIVA - UFT
Externo à Instituição - ALBERICIO PEREIRA DE ANDRADE
Notícia cadastrada em: 22/05/2025 14:57
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