ASSOCIAÇÃO UREIA-PALMA ORELHA DE ELEFANTE MEXICANA (Opuntia stricta Hal) NA ALIMENTAÇÃO DE OVINOS DE CORTE
ganho de peso
Pequenos ruminantes
palma forrageira
nitrogênio não proteico
qualidade da carne
Objetivou-se avaliar dietas a base de palma orelha de elefante mexicana (OEM) com níveis crescentes de ureia em substituição ao farelo de soja na ingestão de alimentos, digestibilidade da matéria seca (MS) e seus constituintes, balanço de nitrogênio (BN), metabólitos sanguíneos, desempenho, características e composição da carcaça, composição físico-química, qualidade e atributos sensoriais da carne de ovinos Santa Inês em confinamento. Foram utilizados 40 cordeiros Santa Inês não castrados, com peso corporal inicial de 22,2 ± 2,1 kg distribuídos em delineamento inteiramente casualizado com quatro tratamentos e dez repetições. Os tratamentos consistiam em quatro dietas a base de palma OEM associada a níveis crescente de ureia (0; 7,3; 14,6 e 21,9 g/kg MS) em substituição ao farelo de soja. Níveis crescentes de ureia em dietas à base de palma OEM, não influenciaram (P > 0,05) a ingestão de matéria seca (MS), matéria orgânica (MO), fibra em detergente neutro corrigida para cinzas e proteína (FDNcp), nutrientes digestíveis totais (NDT) (g/dia) e MS (%PC-0,75), mas aumentou linearmente (P = 0,0347) a ingestão de MS (%PC), a ingestão (g/dia) de proteína bruta (PB) (P = 0,0182), extrato etéreo (EE) (P = 0,0003) e CNF (P = 0,0280), sem influenciar (P > 0,05) os coeficientes de digestibilidade aparente da MS, MO, PB, EE, FDNcp e carboidratos não fibrosos (CNF). As quantidades de N ingerido, N fecal, N absorvido (g/dia) ou N retido e N absorvido (% do ingerido) não foram influenciados, mas N urinário (g/dia), e o N retido (% do ingerido) foram influenciados quadraticamente (P = 0,0091 e P = 0,0003) com valores máximos (9,5 e 44,5 g/dia) nos níveis (7,3 e 21,9 g/kg MS) de ureia respectivamente. A glicose plasmática, e as concentrações de colesterol total, proteínas totais, creatinina, ureia, ácido úrico, as enzimas hepáticas AST, ALT, lipase e as concentrações dos minerais P, Mg, Na e a relação Ca:P não foram influenciadas (P > 0,05). No entanto, as concentrações de triglicerídeo e albumina foram influenciados quadráticamente (P = 0,0033 e P = 0,0148) com valores máximos (22,4 e 2,9 g/dL) observados nos níveis (14,6 e 0,0 g/kg MS) de ureia respectivamente. Aumentou linearmente (P < 0,0001) as concentrações de lactato, das enzimas GGT (P < 0,0001), FA (P = 0,0127) e as concentrações de Ca (P < 0,0204) e K (P < 0,0020). Quanto ao desempenho, o peso corporal ao abate, ganho de peso total e ganho médio diário, diminuíram linearmente (P = 0,0288, P = 0,0034, P = 0,0033) respectivamente, enquanto a conversão alimentar aumentou linearmente (P = 0,0003). O peso de corpo vazio (P = 0,0089), peso de carcaça quente (P = 0,0230) e peso de carcaça fria (P = 0,0145) diminuíram linearmente. No entanto, o conteúdo do trato gastrointestinal, o rendimento de carcaça quente, rendimento de carcaça fria, rendimento biológico, perdas por resfriamento, espessura de gordura subcutânea, área de olho de lombo, índice de compacidade da carcaça, índice de compacidade da perna, bem como, os resultados da avaliação subjetiva de conformação e gordura de acabamento não foram influenciados (P > 0,05). Entretanto, a gordura perirrenal foi influenciada quadraticamente (P < 0,0025), com índices de engorduramento 2,20 nos níveis (0 e 21,9 g/kg MS) de ureia, enquanto os níveis intermediários (7,3 e 14,6 g/kg MS) apresentaram 1,80 e 1,70 respectivamente. Dentre os componentes não carcaça, o coração e a quantidade de gordura inguinal não foram influenciados (P > 0,05), mas diminuiu linearmente o peso do fígado (P = 0,0298), pulmões mais traqueia (P = 0,0020) e rins (P = 0,0014), enquanto o peso do baço foi influenciado quadraticamente (P = 0,0315), assim como, o peso da gordura mesentérica (P = 0,0212), da gordura omental (P < 0,0001), da gordura perirrenal (P < 0,0001), sendo os pesos mais elevados (0,083; 0,352; 0,656 e 0,341 kg), nos níveis (7,3; 21,9; 21,9 e 0,0 g/kg MS) de ureia na dieta, respectivamente. Quanto aos cortes cárneos comerciais, não houve influência das dietas (P > 0,05) no peso do pescoço, da paleta, das costelas, do serrote e do lombo, assim como nos rendimentos de pescoço, costelas, serrote e perna. O peso da perna ((P = 0,0373) e o rendimento do lombo (P = 0,0266) reduziram linearmente, enquanto o rendimento de paleta foi influenciado quadraticamente (P = 0,0237) com maior rendimento (20,20 %) no nível (14,6 g/kg MS) de ureia. Com relação a composição tecidual da perna, o peso da perna reconstituída, peso dos músculos totais, peso dos músculos Semimembranoso, Bíceps femoral, Quadríceps femoral, outros músculos, peso do fêmur, peso da gordura subcutânea, gordura intermuscular e gordura total, bem como, o peso de outros tecidos, os rendimentos de musculo, gordura, outros tecidos, relação musculo/gordura e comprimento do fêmur não foram influenciados (P > 0,05) pelos níveis de ureia. No entanto, diminuiu linearmente o peso do músculo Semitendinoso (P = 0,0357), musculo adutor (P = 0,0230), peso dos 5 músculos da perna (P = 0,0177) e índice de musculosidade da perna (P = 0,0188). O peso dos ossos, rendimento dos ossos, relação músculo/osso foram influenciados quadraticamente (P = 0,0474, P = 0,0064, P = 0,0143) com valores máximos (552 g, 20,69%, 3,5) nos níveis (14,6; 7,3; 21,9) de ureia respectivamente. Os parâmetros avaliados na carne, pH, capacidade de retenção de água, parâmetros de coloração (L*, a*, b*), teor de umidade, PB e cinzas não foram influenciados (P > 0,05). No entanto, diminuíram linearmente a perda por cocção (P = 0,002) e força de cisalhamento (P = 0,044), enquanto o teor de estrato etéreo aumentou linearmente (P = 0,047). Quanto aos atributos sensórias da carne não houve diferença (P > 0,05) na aparência geral, cor, aroma, maciez, suculência e sabor. Níveis crescentes de ureia em dietas a base de palma OEM, podem substituir parcialmente ou totalmente o farelo de soja na dieta de cordeiros confinados sem alterar a ingestão de matéria seca, ingestão de nutrientes digestíveis totais, digestibilidade aparente da MS e nutrientes, obter balanço de N positivo, não comprometer as características e o rendimento de carcaça, além de melhorar características qualitativas da carne sem interferir nos atributos sensoriais. No entanto, reduz o desempenho e aumenta a conversão alimentar.