Saúde do solo após inoculação de bactérias solubilizadoras de fosfato no cultivo de uva de mesa do Vale do São Francisco
Vitis vinífera. Fósforo. Atividade enzimática. Solubilização de P.
Para atender à demanda global por alimentos e superar o problema de fixação de fósforo (P) nos solos, produtores utilizam quantidades excessivas de fertilizantes fosfatados. Isso gera grandes preocupações, pois o uso demasiado desses insumos pode causar impactos nos recursos naturais, como o esgotamento das rochas fosfáticas. A viticultura desempenha um importante papel na economia brasileira, e o Vale do São Francisco, localizado nos estados da Bahia e de Pernambuco, destaca-se na produção e exportação da fruta e de seus derivados. Assim, para manter a produtividade dos vinhedos, altas doses de fertilizante fosfatado são aplicadas, o que pode resultar em problemas ambientais. Nesse contexto, as Bactérias Solubilizadoras de Fósforo (BSP) surgem como uma alternativa viável e sustentável para disponibilizar o nutriente no solo e atender a parte da demanda das plantas. No entanto, a literatura apresenta poucos trabalhos visando à saúde do solo após a inoculação de BSP em campo, especialmente no cultivo de uva de mesa. Dessa forma, esta pesquisa teve como objetivo avaliar a saúde do solo a partir de indicadores químicos, biológicos e enzimáticos após a inoculação de BSP, isoladas de solos do semiárido brasileiro, na cultura da uva no Vale do São Francisco. O experimento foi conduzido em uma fazenda comercial produtora de uva de mesa premium. As videiras foram inoculadas com as BSP primeiramente após a poda drástica, e uma segunda inoculação foi realizada no período de enchimento das bagas. O arranjo fatorial foi 7 x 2 + 2, composto por sete tipos de BSP (PL1A, PL1B, LU10E, PL18E, PL1A+PL18E, PL1B+LU10E e o produto comercial BiomaPhos®), duas doses de fósforo (0% e 50% de P) e dois controles: um absoluto (sem inoculação e adubação) e um adubado (sem inoculação e com 100% da dose recomendada). O delineamento foi em blocos casualizados (DBC) com quatro repetições. Ao final do experimento, foram coletadas amostras de solo nas profundidades de 0-20 e 20-40 cm. Foram analisados atributos químicos (pH, P disponível, K+ trocável, N total e COT), microbiológicos (RBS, CBM, PBM, qCO2 e qMIC) e enzimáticos (fosfatase alcalina, beta-glicosidase, arilsulfatase e urease). Os resultados obtidos permitiram observar que as inoculações com as BSP promoveram incrementos em diversos atributos referentes à saúde do solo. O fósforo disponível no tratamento controle adubado apresentou teor de 213,31 mg kg⁻¹, enquanto a BSP LU10E apresentou 427 mg kg⁻¹ de P disponível com a dose de 0% de P; já com a dose de 50% de P, obteve-se 444,18 mg kg⁻¹. Houve, portanto, incrementos de 100,50% e 108,23%, respectivamente, com a inoculação dessa bactéria. A BSP PL18E, com 50% da dose de P, proporcionou um CBM de 101,90 mg kg⁻¹ em subsuperfície (20-40 cm), enquanto o valor dessa mesma variável com a aplicação de 100% da dose recomendada de P foi de 31,50 mg kg⁻¹, representando um aumento de 223,49%. A atividade da enzima fosfatase alcalina foi significativamente melhorada com as inoculações, principalmente com o consórcio PL1B+LU10E (50% de P), que apresentou valor de 2907,66 μg p-nitrofenol g⁻¹ h⁻¹, enquanto o controle 100% apresentou 1122,83 μg p-nitrofenol g⁻¹ h⁻¹, um aumento de 158,96%. Conclui-se que o uso de BSP nativas do semiárido brasileiro é eficiente na disponibilização de fósforo e promove melhorias na saúde do solo, além de possibilitar a redução de 50% da adubação fosfatada mineral no cultivo de uva de mesa no Vale do São Francisco.