Alterações geoquímicas em solos de manguezais contaminados e efeitos na biodisponibilidade de metais e comunidade microbiana
contaminação, metais pesados, micro-organismos, oxirredução.
Solos de manguezais em condições naturais são considerados drenos de contaminação por reter metais pesados em suas partículas minerais e orgânicas em formas não disponíveis para o ambiente. No litoral Norte de Pernambuco, o estuário do rio Botafogo tem histórico de contaminação por mercúrio (Hg), sendo necessário avaliar como mudanças nas características desses solos podem interferir na disponibilidade de metais e comunidades microbianas. Os objetivos deste estudo foram determinar os teores de mercúrio (Hg), cromo (Cr) e zinco (Zn) em solos de manguezal e analisar as mudanças na compartimentação do Hg após 120 dias de exposição a condições óxicas, bem como as interferências na respirometria e carbono da biomassa microbiana. Solos de três áreas (A1, A2 e A3) do rio Botafogo foram coletados e selecionados para serem submetidos a dez tempos de incubação (0, 5, 15, 30, 45, 60, 75, 90, 105 e 120 dias). Após a incubação, as amostras foram divididas em duas profundidades (0-5cm e 5-10cm), cada uma homogeneizada e colocada em potes plásticos sob refrigeração (-18 °C) até o momento de serem analisadas. O potencial redox (Eh) e o pH foram determinados no local de coleta e após cada coleta dos tempos de incubação. A umidade das amostras de solos foi diminuindo gradualmente até a metade da umidade inicial. Foi realizada análise granulométrica do solo para cada área. As análises químicas realizadas foram de teores totais de Hg, Zn, Cr e Fe e extração sequencial de Hg. Para a análise microbiana, foi realizada a respiração do solo e carbono da biomassa microbiana. Os solos foram classificados como argilosos. Após 120 dias de diminuição da umidade, todas as áreas apresentaram acidificação e aumento do Eh de condições anóxicas/subóxicas para óxidas. Os valores médios de Cr e Zn foram encontrados abaixo dos limites internacionais para esses metais (TEL e PEL). Esses dois metais foram altamente correlacionados ao ferro (Fe). Os teores de Hg estão acima dos limites internacionais (TEL e PEL), confirmando o estado de contaminação do Rio Botafogo. A extração sequencial de Hg mostrou uma tendência de liberação de Hg de frações não disponíveis (residual) para frações menos estáveis (Hg organo-quelado e elementar). Isso pode significar um risco de disponibilidade de Hg quando o solo de manguezal fica exposto a tempos mais longos de alterações nas suas condições naturais de umidade, pH e Eh. O carbono da biomassa microbiana aumentou com os tempos de incubação em todas as áreas, enquanto a respiração do solo diminuiu na A3, a área mais contaminada, e aumentou em A1 e A2, as áreas menos contaminadas. A acidificação teve maior impacto nas comunidades microbianas do que os demais parâmetros, mostrando que pode haver populações resistentes nessas áreas. Esses resultados mostram um risco potencial de uma segunda fonte de contaminação por Hg do estuário do Rio Botafogo e a necessidade de estudar as populações microbianas existentes na área para melhor entender os impactos das alterações nos microrganismos.