PEDOGÊNESE DE SOLOS COM CARÁTER RÚBRICO EM AMBIENTE DE MAR DE MORROS EM PERNAMBUCO, BRASIL
Solos avermelhados, Rubificação, óxidos de ferro, micronutrientes
Os solos tropicais representam um dos ecossistemas mais complexos e dinâmicos do planeta, devido à sua formação sob condições de intemperismo extremo e processos pedogenéticos como rubificação e xantização que resultaram em características físicas e químicas que impactam práticas de manejo agrícola. Dessa forma, o objetivo geral do trabalho é estudar a gênese do caráter rúbrico em solos do ambiente do Mar de Morros na zona da mata de Pernambuco visando entender a sua relação com a mineralogia, mudanças climáticas, fertilidade do solo e sua importância para fins taxonômicos. A área de estudo é composta por Latossolos, inseridos na região da zona da mata de Pernambuco. Foram avaliados os parâmetros químicos e físicos dos solos, a composição mineralógica do solo por difração de raios-X, extração seletiva de ferro, análise da composição química total por fluorescência de raios-X, micronutrientes, descontinuidade litológica, micromorfológia e análises estatísticas. Os quatro perfis de solo apresentaram forte similaridade morfológica e pedogenética, com perfis profundos, cores variando de amareladas para avermelhadas. Quimicamente, os solos apresentaram forte acidez, baixo conteúdo de bases trocáveis e elevada acidez potencial e Al³⁺ trocável. A CTC foi baixa, coerente com solos altamente intemperizados dominados por caulinita e óxidos de Fe/Al, com baixa disponibilidade de fósforo e alta fixação controlada pela mineralogia oxídica dos solos. Os teores de carbono orgânico foram maiores na superfície, diminuindo gradualmente com a profundidade. A extração seletiva de ferro e alumínio evidenciou maior concentração de óxidos cristalinos nos horizontes vermelhos e maior teor de óxidos de baixa cristalinidade em superfície, influenciados pela matéria orgânica. Os micronutrientes demonstraram sofrer influência das características químicas relacionadas principalmente a fertilidade dos solos. Os atributos mineralógicos confirmaram a relação entre os óxidos de ferro e as características físicas, químicas e morfológicas. A micromorfologa apresentou pedofeições que indicam que a mobilidade de Fe é governada, principalmente, pela hidrologia de poros e pelo fluxo preferencial. A análise multivariada confirmou a separação dos atributos dos solos relacionados aos horizontes vermelhos e amarelos. Os solos estudados no ambiente do Mar de Morros da Zona da Mata de Pernambuco foram classificados como Latossolos Amarelos Distróficos, com distinções no quarto nível categórico relacionadas à presença do caráter rúbrico, e como Ferralsols segundo a WRB. Os perfis apresentam horizonte B latossólico espesso, baixa atividade da argila, relação silte/argila reduzida e predominância de caulinita e óxidos de ferro cristalinos, confirmando estágio avançado de intemperismo e intensa dessilicação. Foi observado que o caráter rúbrico, conforme definido no SiBCS, é aplicado a solos que apresentam avermelhamento em profundidade, caracterizado por cor úmida com matiz mais vermelho que 5YR e valor menor ou igual a 4. No entanto, a definição atual desse caráter apresenta limitações operacionais, especialmente em relação ao critério do valor, sendo necessário revisão da redação do caráter rúbrico , visando maior coerência entre a classificação taxonômica e a variabilidade cromática observada em solos altamente intemperizados De forma geral, as evidências químicas, físicas, mineralógicas e micromorfológicas, indicam que o caráter rúbrico resulta da interação entre material de origem, intensidade do intemperismo, dessilicação e dinâmica das formas de ferro.