Indicadores microbiológicos de saúde do solo em Vitis vinifera L no Semiárido Brasileiro: Sistemas Orgânico e Convencional
qPCR. 16S rRNA. Microbioma. Atividade enzimática. Saúde do solo.
O submédio do Vale do São Francisco, caracterizado por um clima semiárido e solo pouco desenvolvido, e que se destaca como a principal região produtora de uvas de mesa do Brasil. Esse fato é possível devido à implementação de sistemas de irrigação e a fatores climáticos, como o maior fotoperíodo, que possibilitaram a produção de uvas na região com mais de uma colheita por ano, incluindo variedades híbridas como a BRS Vitória, que se sobressaem pela resistência a doenças e pelo sabor. Embora o cultivo convencional seja predominante na região, as práticas orgânicas estão se tornando conhecidas, mostrando boa produtividade e mantendo a saúde do solo. A saúde do solo é vital para a sustentabilidade da viticultura e depende de práticas agrícolas que favoreçam a biodiversidade de microrganismos, fundamental para a ciclagem de nutrientes e a produtividade das videiras. Para tanto, é necessário um estudo mais aprofundado sobre os microrganismos presentes nessas áreas, para que, assim, com dados sólidos, possa ser analisado o impacto do manejo nessas comunidades do solo. Portanto, o presente trabalho tem como objetivo geral analisar os perfis de organismos dos solos sob cultivo orgânico e convencional de uva em clima semiárido, bem como os impactos dessas práticas agrícolas na diversidade, abundância e funcionalidade dos microrganismos do solo. Como objetivos específicos, pretende-se: avaliar a atividade enzimática em ambos os sistemas de cultivo e na vegetação nativa; quantificar a abundância de microrganismos e genes funcionais nos diferentes sistemas de cultivo e na floresta nativa; avaliar o microbioma associado aos diferentes sistemas de cultivo da uva; identificar a composição do microbioma associado aos diferentes sistemas de cultivo da uva; e predizer o metagenoma funcional dos microrganismos identificados associados aos diferentes sistemas de cultivo da uva. Para realizar esses objetivos, será determinada a atividade enzimática do solo para β-glicosidase, urease, arilsulfatase, fosfatase ácida e alcalina. Serão realizadas análises para quantificar a abundância de bactérias totais, arqueias, fungos totais, microrganismos fixadores de carbono, diazotróficos, oxidante de amônio, fosfatase alcalina e quitinases, que serão quantificados por qPCR, utilizando como alvo os genes 16S rRNA, 18S rRNA, CBBL, nifH, AOA, AOB, phoD e chiA. Além das análises de microbioma, visando as regiões hipervariáveis V4-V5 do gene 16S rRNA, que serão utilizadas para análises bioinformáticas determinando a α e β diversidade, composição do microbioma e predição funcional do metagenoma. Com isso, ao final do estudo, espera-se obter uma visão clara sobre o impacto do manejo nos microrganismos do solo.