EFEITO RESIDUAL DE ADUBAÇÃO SILICATADA NA MORFOFISIOLOGIA E BIOQUÍMICA DA CANA-SOCA SOB ESTRESSE HÍDRICO
Eficiência fotossintética. Estresse abiótico. Nutrição de plantas. Relações hídricas. Saccharum officinarum L.. Sílica amorfa.
O uso do silício (Si) tem se destacado como uma ferramenta eficaz na redução dos impactos do estresse hídrico em plantas. No entanto, ainda há a necessidade de investigar as fontes, efeitos residuais e as doses ideais para a cultura da cana-de-açúcar. Neste sentido, essa pesquisa teve como objetivo avaliar as respostas fisiológicas, nutricionais e de crescimento da cultura ao efeito residual do fertilizante derivado de sílica amorfa (FSA) na mitigação dos danos causados pelo estresse hídrico em cana-soca. O experimento foi conduzido em blocos inteiramente casualizados com esquema fatorial 4 x 2, com quatro repetições, durante um período de 150 dias após o corte (DAC) correspondente a quatro doses residuais de fertilizante derivado de sílica amorfa, correspondente a 0,0; 78,0; 117,0 e 156,0 kg ha-1 de Si e dois níveis de umidade do solo (40% e 80% da capacidade máxima de retenção de água). Realizaram-se avaliação nos parâmetros de crescimento (altura - AC e diâmetro de colmo – DC, número de plantas – NP e área foliar - AF), biomassa (massa fresca -MFF e massa seca das folhas – MSF; massa fresca - MFC e massa seca do colmo – MSC), bioquímicos (fluorescência da clorofila, eficiência quântica fotoquímica - Fv/Fm, quantificação de clorofila – Chl a+b e carotenoides), fisiológicos (relações hídricas e trocas gasosas) e nutricionais (teores de Si, N, P, K e C na planta). O regime hídrico de 80% da CMRA com dose de 156 kg ha-1 promoveu aumentos na AC (+27,60%), DC (+5,87%), AF (+126,10%), MSF (+34,05%) e MSC (+78,40%) em comparação à 40% da CMRA. Aos 140 DAC a razão Fv/Fm apresentou valores de 0,66 e 0,71 para 40 e 80% da CMRA, respectivamente, na dose de 156 kg ha-1. Os teores de Chl a+b apresentaram aumentos de 66,28% (40% da CMRA) e 55,21% (80% da CMRA) na dose 156 kg ha-1 comparada à 0 kg ha-1. Aos 140 DAC o regime hídrico de 80% da CMRA com 156 kg ha-1 promoveu aumentos na fotossíntese (+16,93%), transpiração (+25,35%) e concentração interna de CO2 (+34,46%), em relação a 40% CMRA. Os teores foliares de Si foram 2,47 e 6,64 g kg-1 para as doses 0 e 156 kg ha-1, respectivamente. A dose de 156 kg ha-1 combinada com 40% da CMRA promoveu aumento nos teores de N (+27,14%), P (+84,60%) comparada a dose de 0 kg ha-1. Conclui-se que o efeito residual das doses de Si promoveu aumentos significativos no crescimento e na produção de massa fresca e seca das folhas e colmos, da cana-soca sob estresse. O efeito residual das doses crescentes atenuou os efeitos do estresse hídrico por possibilitar o ajustamento osmótico, redução no extravasamento de eletrólitos e potencial hídrico foliar, melhorias nas trocas gasosas, pigmentos fotossintéticos e fluorescência da clorofila. Aumentos nos teores de nutrientes nas folhas da cana-soca sob efeito residual de doses crescentes de Si. A ordem de extração e exportação de macronutrientes e Si pela variedade RB041443 foi: K > N > Si > Ca > P > Mg em ambas CMRA.