METAIS PESADOS EM SOLOS DE MANGUEZAIS DOS ESTADOS DA BAHIA E PERNAMBUCO
Contaminação. Estuário. Elementos traço.
A crescente contaminação do ecossistema manguezal tem enfatizado a necessidade de compreender os impactos ambientais decorrentes da ação humana. Os estados da Bahia e Pernambuco possuem 25 e 7,27%, respectivamente, da área total de manguezais do nordeste do Brasil. Esses estados possuem áreas de intensa atividade industrial e urbana no entorno dos manguezais, e fazem parte de importantes sistemas de abastecimento de água das regiões metropolitanas, no entanto ainda são escassas as avaliações de riscos associados a interferência antrópica nesses ambientes. Dessa forma, este trabalho tem por objetivo ampliar os estudos sobre a contaminação por metais pesados em manguezais da Bahia e Pernambuco. Para caracterização da área, foram realizadas coletas de amostras de solos de manguezais em áreas com histórico de contaminação no rio Botafogo e Canal de Santa Cruz ,em Pernambuco, e rios Subaé, São Paulo e Paraguaçu, na Bahia. Em cada estuário, selecionaram-se três pontos de coleta: inferior, médio e superior do estuário, totalizando 15 áreas georreferenciadas. Em cada área foram coletadas três amostras compostas a 10 m da margem e três a 30 m da margem, totalizando 6 parcelas, nas profundidades de 0-5 e 5-10 cm. As amostras foram preparadas e analisadas para determinar os teores de metais pesados ambientalmente disponíveis como cádmio (Cd), cromo (Cr), cobre (Cu), chumbo (Pb), níquel (Ni) e zinco (Zn) por meio do método USEPA 3051a, com digestão em micro-ondas e dosagem em ICP-OES. Também foi realizada a granulometria do solo pelo método da micropipeta após pré-tratamento para a remoção de sais e matéria orgânica. No estado da Bahia, Cd foi identificado como o principal contaminante do rio Subaé, chegando a 2,83 mg/kg-1 , excedendo VRQ, VP, TEL e ERL em todos os pontos de coleta, demonstrando a necessidade de investigação e monitoramento da área. O rio São Paulo e Paraguaçu apresentaram níveis seguros de toxidade determinados pela CETESB e pelas agências ambientais internacionais, no entanto há necessidade de monitoramento já que são áreas de estudos relacionados a contaminação por fontes antrópicas como esgoto domésticos e industriais, e fazem parte da Baía de Todos os Santos que desempenha papel crucial no abastecimento de água do estado. Os teores médios de metais obtidos no rio Botafogo no ponto de maior concentração foram: Cd (0,10 mg/kg-1 ), Cr (35,3 mg/kg-1 ), Cu (10,80 mg/kg-1 ), Ni (8,88 mg/kg-1 ), Pb (18,80 mg/kg-1 ) e Zn (31,50 mg/kg-1 ), no entanto, não indicam efeito tóxico provável por nenhum dos metais, ficando dentro dos limites de VRQ e TEL e abaixo dos demais valores de referência . O Canal de Santa Cruz apresentou teores inferiores aos encontrados do rio Botafogo, indicando baixa contaminação nos pontos de coleta.