Geoquímica de tungstênio em tecnossolos de mineração de scheelita no semiárido do nordeste do Brasil
Tungstato; Solos Tectogênicos; Solo Rizosférico; Cronossequência.
A mineração de scheelita no semiárido do Nordeste brasileiro, em operação desde 1943, gerou vastos rejeitos, acumulados a céu aberto, levando à formação de tecnossolos ricos em carbonatos e altamente alcalinos. Tecnossolos são solos influenciados por materiais humanos, reconhecidos pela World Reference Base for Soil Resources (WRB) desde 2006. Estes tecnossolos influenciam a biodisponibilidade e mobilidade do tungstênio (W) devido à interação complexa entre o pH do solo e os processos geoquímicos. A vegetação presente nos tecnossolos pode influenciar a biogeoquímica do W devido ao aumento da acidez causado pelas raízes, resultando em diferenças no comportamento deste elemento entre os solos rizosféricos e não rizosféricos. Nesse sentido, este projeto visa avaliar como a atividade radicular e a variação do pH do solo rizosférico influenciam a biodisponibilidade, mobilidade e toxicidade do W em tecnossolos formados por rejeitos de scheelita no semiárido do Nordeste brasileiro, considerando as alterações geoquímicas e mineralógicas ao longo da cronossequência, e comparar esses efeitos com as condições do solo não rizosférico ao longo de um período de quatro décadas. O estudo será realizado no município de Currais Novos, estado do Rio Grande do Norte, na Mina Brejuí. Serão selecionados perfis de tecnossolos derivados de rejeitos da mineração de scheelita, formados ao longo de quatro décadas (2, 5, 10, 40 anos). Também serão selecionadas duas idades (10 e 40 anos) para coleta de solo rizosférico e não rizosférico. Serão coletadas amostras deformadas e não deformadas dos horizontes e/ou camadas para a realização das análises físicas, químicas e mineralógicas. Serão coletadas amostras de solo rizosférico e não rizosférico em duas áreas de tecnossolos com 10 e 40 anos de formação. Para isso, será estabelecida uma parcela de 20 m² na zona vegetada de cada área. A composição química total dos tecnossolos será determinada por espectrometria de fluorescência de raios X. Será realizado o fracionamento de W nas amostras de perfis e nos solos rizosféricos e não rizosféricos. A determinação de W nas amostras de tecnossolos será realizada por espectrometria de emissão óptica, após a digestão total das amostras. Também será realizada uma extração sequencial de W. Um difratômetro de raios X será usado para identificar os minerais nas diferentes frações dos tecnossolos. Os resultados deste projeto serão fundamentais para compreender a geoquímica dos tecnossolos derivados da atividade de mineração em ambientes semiáridos, focando na biodisponibilidade e mobilidade do W em solos rizosféricos e não rizosféricos. Além disso, esta proposta fornecerá alternativas para o gerenciamento e uso sustentável dos rejeitos da atividade de mineração no semiárido.