Potencial de cultivo de Helianthus tuberosus L. irrigada com rejeito da dessalinização da água e fontes de adubação em solos do Semiárido Pernambucano
Jerusalém artichoke. Agricultura biossalina. Tolerância. Agricultura orgânica. Cultura alternativa.
O Semiárido Brasileiro está inserido em diversas problemáticas ambientais que impedem o crescimento potencial da agricultura com a presença de solos pouco desenvolvidos de natureza infértil ou com acúmulo de sais. Mesmo com as adversidades levantadas, técnicas de melhoria da qualidade dos solos e a aplicabilidade de águas salinas, frequentes nestas regiões, têm aguçado a busca por estratégias de manejo, visando a melhor convivência e aproveitamento dos recursos oriundos deste ambiente. Além disso, a fertilidade do solo pode ser incrementada de forma ambientalmente sustentável com técnicas de adubação orgânica a base de resíduos vegetais e animais. A espécie Helianthus tuberosus L. é cultivada nas mais diversas regiões do mundo e, pela sua rusticidade, tem capacidade de conviver em ambientes adversos com problemas de salinidade, déficit hídrico e baixa fertilidade. Diante deste contexto, a pesquisa teve como objetivo avaliar o potencial de cultivo da espécie Helianthus tuberosus L. (cv. “Stampede”) em diferentes solos sob irrigação com proporções crescentes de rejeito salino em ambiente protegido; e, em condições de campo, avaliar seu potencial produtivo sob diferentes fontes de adubação. A pesquisa foi desenvolvida em duas etapas, sendo a primeira conduzida em ambiente protegido durante 70 dias, em delineamento em blocos casualizados (DBC), em arranjo fatorial 3 x 6, sendo os fatores constituídos por três diferentes solos (S1 – Serra Talhada; S2 – São Bento do Una e S3 – Caruaru), mediante irrigação com seis diferentes proporções do rejeito salino e água de abastecimento local (A1 – 100% água de abastecimento; A2 – 95% água de abastecimento + 5% de rejeito salino; A3 – 90% água de abastecimento + 10% de rejeito salino; A4 – 80% água de abastecimento + 20% de rejeito salino; A5 – 60% água de abastecimento + 40% de rejeito salino e A6 – 30% água de abastecimento + 70% de rejeito salino), com quatro repetições em blocos, totalizando 72 unidades experimentais. Foram mensuradas, aos 15 e 35 dias após aplicação dos tratamentos salinos, as variáveis biométricas e fisiológicas e, ao final do experimento, a produção de biomassa, teores de elementos nos tecidos vegetais e atributos químicos dos solos. O segundo experimento foi conduzido em condições de campo, em área do Instituto Agronômico de Pernambuco (IPA), no município de Caruaru, durante 120 dias. Foi adotado delineamento em blocos casualizados (DBC), sendo os tratamentos constituídos por uma testemunha (sem aplicação de fertilizantes) e quatro fontes de adubação (adubação mineral com NPK; adubação com esterco caprino; compostagem orgânica; mistura de esterco caprino + compostagem orgânica), em quatro repetições, totalizando 140 plantas na área total. Foram realizadas medidas biométricas mensais nas plantas e, ao final do ciclo, foi analisado o potencial produtivo da cultura pela produção de biomassa, estado nutricional da planta, pigmentos fotossintéticos, teor de sólidos solúveis, atividade enzimática; bem como análises químicas do solo. As proporções crescentes do rejeito salino influenciaram diretamente as variáveis morfológicas e fisiológicas das plantas, com diminuições significativas sob uso das águas mais salinas, indicando sensibilidade da planta ao excesso de sais. Os efeitos dos sais nas águas de irrigação variaram conforme os diferentes solos utilizados. As plantas cultivadas no solo de Caruaru toleraram a salinidade até a água de irrigação com 20% do rejeito salino. Houve maior acúmulo de Na+ e Cl- na parte aérea das plantas irrigadas com os rejeitos do dessalinizador. A espécie Helianthus tuberosus L. apresentou potencial de cultivo em solos não salinizados e sob irrigação com baixas proporções de rejeito salino na água de irrigação. As características morfológicas e a produção de biomassa foram influencidas positivamente sob adubação com NPK, compostagem e a combinação compostagem + esterco caprino. O estado nutricional das partições da planta foi incrementado em todos os tratamentos com adubação em comparação com o tratamento sem adubação, tendo o potássio (K) e o cálcio (Ca) com maior acúmulo. A fertilidade do solo foi potencializada com a adubação e o cultivo da planta, aumentando os teores de fósforo (P), cálcio (Ca), elevando a CTC e o pH do solo. O potencial produtivo total dos tubérculos foi maior nos tratamentos com adubação mineral e compostagem, mas os demais tratamentos com esterco caprino e a combinação compostagem + esterco caprino também apresentaram valores superiores ao tratamento sem adubação.