Banca de DEFESA: LUIZ HENRIQUE VIEIRA LIMA

Uma banca de DEFESA de DOUTORADO foi cadastrada pelo programa.
DISCENTE : LUIZ HENRIQUE VIEIRA LIMA
DATA : 24/07/2023
HORA: 09:00
LOCAL: Auditório do PPG em Ciência do Solo
TÍTULO:

Agromineração no Brasil: busca por hiperacumuladoras tropicais, estratégias de manejo e riscos ecossistêmicos por exposição a solos ultramáficos


PALAVRAS-CHAVES:

Fitomineração. Hiperacumulação. Metal pesado. Níquel. Solos metalíferos


PÁGINAS: 149
RESUMO:

Solos ultramáficos são ambientes anômalos quanto a teores de metais pesados (principalmente, Ni, Co e Cr) e podem gerar retorno econômico por extração de minérios. Porém, técnicas extrativistas convencionais são responsáveis por fortes impactos ambientais. Nesse cenário, plantas hiperacumuladoras podem remover altas quantidades de metais de substratos enriquecidos, de forma econômica, ecológica e lucrativa, por meio da agromineração. Embora promissora, essa abordagem requer prospecção de espécies, estratégias de manejo do solo e avaliação de riscos para garantir a sustentabilidade ambiental. Dessa forma, este trabalho objetivou desenvolver método de monitoramento dos teores de Ni em plantas por fluorescência de raios X portátil (FRXp) e avaliar a acumulação natural e induzida do metal em cinco hiperacumuladoras tropicais e seus respectivos potenciais para a agromineração no Brasil. Adicionalmente, investigar os riscos ambientais, ecológicos e à saúde humana por exposição a partículas de solo e consumo de vegetais cultivados nesse cenário. Para isso, 14 espécies com diferentes padrões de acúmulo de Ni foram utilizadas na calibração do uso do FRXp. Espécies brasileiras (Pfaffia sarcophylla, Lippia lupulina e Justicia lanstyakii), mexicana (Blepharidium guatemalense) e africana (Berkheya coddii) cultivadas em solos ultramáficos foram avaliadas quanto aos teores de Ni e à distribuição espacial de metais nas folhas por microfluorescência de raios-X baseada em luz síncrotron (μFRX-SR). Análises petrográficas foram realizadas nos materiais de origem e os solos ultramáficos foram caracterizados química, física e mineralogicamente. Os teores disponíveis, ambientalmente disponíveis, totais, sequenciais e bioacessíveis de Ni, Co e Cr foram determinados. Os riscos carcinogênicos e não carcinogênico à saúde humana, a comunidade bacteriana dos solos e o efeito de doses de ácido cítrico na disponibilidade de metais também foram avaliados. Nossos resultados mostraram que o modelo de calibração para o FRXp foi eficiente na predição de Ni em plantas (R² = 0,94). As hiperacumuladoras brasileiras apresentaram baixo potencial para a agromineração comercial. Entretanto, o alto acúmulo de Ni de B. guatemalense e B. coddii (> 1,0 %) torna essas espécies candidatas à agromineração tropical. Além disso, a aplicação de ácido cítrico (40,0 mmol kg-1) no solo ultramáfico aumentou em 25,0 % o acúmulo foliar de Ni por B. guatemalense e em 60,0 % o teor do metal no bio-minério. As espécies avaliadas apresentaram padrão similar de distribuição espacial dos metais, e acúmulo preferencial de Ni no floema e epiderme, sugerindo mecanismos de defesa contra herbivoria. No solo, os teores totais dos metais (mg kg-1) para os municípios da Niquelândia e Buenos Aires, respectivamente, foram Co (373,5 e 349,2), Cr (1844,5 e 2485,5) e Ni (9597,5 e 1428,5). Riscos ambientais e à saúde humana foram estimados e considerados aceitáveis devido a maior retenção dos metais em óxidos de Fe e na fração residual. Entretanto, foram descritos riscos ecológicos elevados para os dois solos e risco de câncer inaceitável por consumo de vegetais cultivados nesses ambientes. A maior tolerância a metais foi observada nos filos Proteobacteria, Bacteroidota e Firmicutes. Portanto, nossos resultados indicam monitoramento eficiente de Ni por FRXp e alto potencial de agromineração natural e induzida de Ni no Brasil. Além disso, manejos que intensifiquem a erosão e mobilidade dos metais e cultivos alimentícios nestes solos devem ser evitados para garantia da segurança alimentar e sustentabilidade ambiental


MEMBROS DA BANCA:
Presidente - CLISTENES WILLIAMS ARAUJO DO NASCIMENTO
Interno - YGOR JACQUES AGRA BEZERRA DA SILVA
Externo à Instituição - FABIO PERLATTI
Externo à Instituição - GUILLAUME FERNANDEZ ECHEVARRIA
Externa à Instituição - PAULA RENATA MUNIZ ARAUJO
Notícia cadastrada em: 17/07/2023 16:43
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